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103 anos a honrar a alma alentejana, Casa do Alentejo distingue figuras maiores da região

A Casa do Alentejo voltou a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos da identidade alentejana fora da região ao assinalar, esta quarta-feira, o seu 103.º aniversário. A histórica instituição lisboeta reuniu associados, representantes de entidades públicas, personalidades da cultura e amigos do Alentejo numa jornada marcada pela celebração da memória, do património e das pessoas que têm dedicado a sua vida à valorização da região.

As comemorações decorreram sob o lema “Alentejo – um povo, uma cultura, uma região”, numa clara reafirmação da missão que a instituição tem vindo a desempenhar ao longo de mais de um século: preservar, promover e divulgar a cultura alentejana junto das novas gerações e além das fronteiras da região.

O programa teve início com uma sessão solene onde a emoção e o reconhecimento marcaram presença. Dois nomes profundamente ligados ao Alentejo foram distinguidos pelo percurso desenvolvido em defesa da cultura e da identidade regional: a antiga Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, e o cantor Vitorino Salomé Vieira, uma das vozes mais emblemáticas da música portuguesa.

Na abertura da cerimónia, o presidente da Casa do Alentejo, Manuel Verdugo, destacou o caminho percorrido pela instituição ao longo dos seus 103 anos de existência e o papel que continua a desempenhar junto das comunidades alentejanas espalhadas pelo país. Na sua intervenção, sublinhou que “o Alentejo é a nossa marca de identidade”, uma ideia que serviu de fio condutor a toda a celebração.

O presidente da Casa do Alentejo destacou que a instituição tem vindo a desenvolver um trabalho de continuidade, assente na preservação da sua identidade e dos valores que a caracterizam, sempre com a visão de um “Alentejo único”, capaz de unir todo o território em torno da sua cultura e tradições.

Manuel Verdugo sublinhou ainda que a presença da Casa do Alentejo em Lisboa lhe confere uma missão especial, considerando-a “a casa-mãe de todos os distritos alentejanos”, um espaço de encontro onde todos os alentejanos e amigos da região são acolhidos de braços abertos.

Relativamente às homenagens atribuídas a Ana Paula Amendoeira e a Vitorino Salomé Vieira, o responsável considerou que ambos possuem percursos ímpares e um contributo inestimável para a valorização do Alentejo, afirmando que são “mais do que merecedores desta distinção”.

Também Jorge Feliciano, presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, enalteceu o contributo da Casa do Alentejo para a cultura portuguesa, considerando-a um exemplo do papel fundamental que o movimento associativo continua a desempenhar na preservação das tradições e da memória coletiva.

A importância da instituição na vida cultural da capital foi igualmente destacada por Diogo Moura, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, que classificou a Casa do Alentejo como uma referência incontornável da cidade. Durante a cerimónia, o autarca entregou uma lembrança institucional ao presidente da coletividade.

João Ferreira, vereador da CDU na autarquia lisboeta, salientou a influência que o Alentejo e a Casa do Alentejo tiveram ao longo das décadas na construção da identidade cultural da capital, afirmando que “Lisboa deve muito à Casa do Alentejo e deve muito ao Alentejo”.

Um dos momentos mais marcantes da celebração foi a distinção atribuída a Ana Paula Amendoeira, antiga Diretora Regional de Cultura do Alentejo, reconhecida pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos na proteção, valorização e divulgação do património cultural alentejano.

Ao receber a homenagem, materializada numa peça de barro criada pelo mestre oleiro redondense Xico Tarefa, a antiga Diretora Regional de Cultura do Alentejo não escondeu a emoção.

“É uma honra muito grande receber esta peça feita pelas mãos do grande amigo Xico Tarefa”, afirmou, destacando o papel desempenhado pelo artesão na preservação da arte oleira tradicional.

Num discurso marcado pelo profundo amor à região, Ana Paula Amendoeira deixou uma reflexão sobre a resiliência do povo alentejano e a ligação às suas raízes.

“No Alentejo, nós resistimos permanecendo no território”, afirmou, numa frase que mereceu forte aplauso dos presentes.

A segunda homenagem da tarde foi dirigida a Vitorino Salomé Vieira, cantor natural de Redondo e uma das figuras mais representativas da cultura portuguesa contemporânea.

Ao longo de décadas de carreira, Vitorino transformou a música numa ponte entre o Alentejo e o mundo, transportando para os palcos as histórias, os sons, as tradições e a identidade de uma região que continua a ser a principal inspiração da sua obra.

Com a espontaneidade e boa disposição que lhe são reconhecidas, o artista agradeceu a distinção e aproveitou o momento para saudar a Casa do Alentejo e enaltecer o percurso de Ana Paula Amendoeira.

Num dos momentos mais descontraídos da cerimónia, Vitorino deixou ainda uma declaração que arrancou sorrisos e aplausos da assistência: “Espero que um dia aproveitem a Ana Paula Amendoeira para Ministra da Cultura deste país.”

Antes disso, fez questão de proclamar um entusiástico “Viva o Alentejo”, sintetizando o sentimento que dominou toda a celebração.

A componente cultural da cerimónia contou ainda com a participação do Grupo Cantadeiras do Redondo, que trouxe ao salão da Casa do Alentejo um momento de cante alentejano, Património Cultural Imaterial da Humanidade reconhecido pela UNESCO.As vozes das Cantadeiras de Redondo encerraram uma jornada de homenagem à cultura, à memória e às pessoas que ajudam diariamente a manter viva a identidade de uma das regiões mais marcantes de Portugal.

Aos 103 anos, a Casa do Alentejo continua a afirmar-se como um espaço de encontro, preservação e celebração da cultura alentejana, mantendo intacta a missão que lhe deu origem: fazer do Alentejo uma presença viva no coração de Lisboa.

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