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41 anos de história ganham nova vida: sete épocas depois, a bola vai voltar a rolar em São Romão

Sete épocas depois, o Sporting Clube de São Romão está de regresso ao futebol sénior. O clube já está a preparar o regresso à competição no Campeonato INATEL de Évora, depois de a pandemia de Covid-19 ter obrigado a equipa a interromper a atividade quando disputava a competição.

Segundo Márcio Solda, presidente do Sporting Clube de São Romão, o processo começou quando percebeu, juntamente com outros antigos membros do clube, que era necessário recuperar a atividade futebolística. “Vimos que era uma pena 41 anos de história do Sporting Clube de São Romão irem por água abaixo”, explica o dirigente.

O desafio não foi simples, mas contou com o envolvimento de antigos jogadores do clube. Entre os principais responsáveis pela formação da nova equipa está Pedro Ramos, treinador e residente na freguesia, que, juntamente com outros antigos atletas, conseguiu reunir um grupo capaz de voltar a colocar o São Romão em competição.

“Foi complicado no início, mas, com a colaboração de uns antigos jogadores do clube, seguimos em frente”, afirma Márcio Solda, destacando o papel do treinador e dos atletas que aceitaram abraçar o projeto.

Num contexto em que várias equipas da região sentem dificuldades em reunir jogadores, o Sporting Clube de São Romão conseguiu construir um plantel com cerca de 20 atletas.

A experiência de vários jogadores ligados ao clube foi determinante. Alguns deles passaram por outros emblemas da região e conseguiram convencer antigos companheiros de equipa a juntarem-se ao projeto de São Romão e afirma que “não me parece ter sido tão complicado este ano arranjar jogadores”, que atribui grande parte do mérito ao treinador e aos antigos jogadores envolvidos no projeto.

A aposta inicial passa, sobretudo, pelos jogadores da própria freguesia. Os primeiros 14 atletas do plantel são, segundo o presidente, todos residentes em São Romão. No entanto, a falta de jovens na freguesia obrigou o clube a procurar soluções nas localidades vizinhas e explicou que “por falta de juventude na freguesia, não foi possível completar o plantel com mais alguns elementos da nossa aldeia”.

Uma das particularidades do projeto está nas condições do recinto onde o Sporting Clube de São Romão vai disputar os seus jogos. Enquanto alguns dos jogadores recrutados estão habituados a jogar em relvados sintéticos, o clube disputa os seus jogos num campo de futebol de “piso pelado”.

Para Márcio Solda, foi até surpreendente ver jogadores provenientes de clubes com melhores condições aceitarem o desafio, no entanto, apesar do entusiasmo em torno do regresso, a direção não estabelece, para já, metas concretas em termos classificativos.

O primeiro objetivo é simples: chegar ao final da temporada com a equipa unida e garantir a continuidade do projeto. “O objetivo para esta época é chegar ao fim com todos os atletas e todos os dirigentes que temos no clube”, refere o presidente.

Márcio Solda reconhece que o primeiro ano será exigente, mas garante que o clube vai lutar em cada partida e não esconde a ambição de vencer. No entanto, a classificação não será, nesta fase, o principal foco, onde o dirigente revelou que “seja em primeiro, em segundo ou em terceiro, vamos lutar por isso, como é óbvio”, acrescentando ainda que “o objetivo é pensar, para já, jogo a jogo.”

Mais do que os resultados imediatos, o clube pretende criar bases para um projeto sustentável e, no futuro, dar um passo em frente nas condições oferecidas aos atletas. Entre os sonhos está a possibilidade de construir um campo de futebol com relvado sintético, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Viçosa e da Junta de Freguesia de Ciladas, um objetivo que poderá permitir ao São Romão, dentro de alguns anos, subir de patamar competitivo, como revelou Márcio Solda.

O entusiasmo não se limita à direção e aos jogadores. De acordo com Márcio Solda, a população da freguesia tem demonstrado interesse pelo regresso do clube à competição. “Parte da população já me tem perguntado quando é que começa e isso é sinal que estão ansiosos”, frisou.

O Sporting Clube de São Romão chegou a ter cerca de 200 associados quando estava no ativo e, agora, alguns desses antigos sócios já procuram saber como podem voltar a pagar as quotas e revelou que “já houve várias pessoas que perguntaram como estão as suas cotas, porque querem pagar as cotas para continuar a ser sócios do clube”.

Para a direção, recuperar esta ligação à comunidade será uma das prioridades do projeto. A intenção passa por transformar os jogos em momentos de convívio e de reencontro da população com o clube.

O primeiro treino do Sporting Clube de São Romão está marcado para 4 de setembro. O clube deverá continuar a integrar jogadores interessados em fazer parte do plantel e prepara também um momento especial para assinalar oficialmente o regresso. O jogo de apresentação está agendado para 10 de outubro, no Campo de Futebol Engenheiro Gonçalves, em São Romão.

Mais do que uma equipa de futebol, o regresso do Sporting Clube de São Romão representa a recuperação de uma parte importante da vida desportiva da freguesia. Sete épocas depois da interrupção provocada pela pandemia, o clube volta a entrar em campo com um objetivo maior do que uma simples classificação: devolver o futebol e o convívio à comunidade e garantir que os 41 anos de história do clube têm continuidade.

Com o regresso à competição cada vez mais próximo, o Sporting Clube de São Romão prepara-se para voltar a escrever uma nova página da sua história. Entre jogadores, dirigentes e população, a expectativa cresce numa freguesia que volta a ter o futebol como ponto de encontro, com a ambição de que este regresso seja apenas o primeiro passo de um projeto duradouro e capaz de devolver ao clube o lugar que ocupou durante mais de quatro décadas na vida de São Romão.

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