Enquanto vai declamando poesia sorridente (ouvir áudio em baixo) Alice Mancha desenha mais uma flor amarela entre folhas verdes na borda de um prato de cerâmica. Em breves minutos o simples prato ganha contornos de obra de arte.
Até parece fácil, se ouvirmos a simplicidade com que a artesã da Aldeia da Venda (Alandroal) explica como a técnica é a mesma que tem cruzado séculos de história. São, afinal, as tradicionais pinturas que vão colorindo o mobiliário alentejano, um legado árabe que os pastores cá da terra não perderam de vista e que Alice descobriu, ainda menina e moça, no dia em que foi a Redondo com uma tia.

“Vi uma cadeira pintada e achei tão linda. Pensei que gostava tanto de saber fazer aquilo”. Teve que esperar mais uns anos. Já andava pelas 36 primaveras quando soube que estava a ser preparado um curso de artesanato em Reguengos de Monsaraz. “Num ano aprendi”, revela, sem esconder o orgulho pela curiosidade que o seu trabalho ao vivo vai suscitando aos visitantes do Festival do Peixe do Rio, no Alandroal.
Além do prato que está quase pronto, Alice mostra ainda a pequena mesa que usa para trabalhar, um garrafão e outras obras que a acompanham ao certame que decorre até ao próximo domingo no castelo do Alandroal.

