No coração do Alentejo, entre a paisagem tranquila que envolve Estremoz e as águas serenas da Barragem das Aldeias, vive-se por estes dias um cenário de rigor, disciplina e preparação militar. É aqui que o Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3) acolhe o Curso de formação da Viatura Blindada Ligeira Panhard M11, uma ação essencial na preparação dos futuros sargentos da Arma de Cavalaria.
A formação é dirigida aos militares do 54.º Curso Técnico Superior Profissional de Sargentos de Cavalaria 2025-2027 (54CFSC), que iniciou em setembro de 2025 e tem a duração de dois anos. Durante duas semanas intensivas, os formandos recebem instrução especializada ministrada por militares do próprio regimento, numa combinação exigente de aprendizagem teórica e treino prático.
A Rádio Campanário, a convite do RC3, acompanhou no terreno este momento de formação e testemunhou o empenho e a concentração de um grupo composto por 18 militares vindos de diferentes pontos do país, determinados em adquirir competências fundamentais para o exercício das suas futuras funções.

O Tenente-Coronel Rui Moura, responsável pelo curso, explicou à Rádio Campanário que esta formação integra o percurso contínuo dos futuros sargentos de cavalaria do quadro permanente.
“Trata-se de um curso integrado na formação contínua do curso de formação de sargentos de cavalaria do quadro permanente, no qual participam 18 militares vindos de diferentes partes do país. O objetivo é dotar os futuros Sargentos de Cavalaria do Quadro Permanente com as competências técnicas necessárias para executar missões com recurso à viatura M11″ referiu.
A Panhard M11, atualmente ao serviço do Esquadrão de Reconhecimento sediado no RC3, é uma viatura especialmente concebida para operações de vigilância e reconhecimento. A sua missão principal consiste em recolher informação sobre o dispositivo e a atividade das forças adversárias, desempenhando um papel determinante no apoio às operações militares.
Com presença em teatros de operações internacionais como o Kosovo e o Afeganistão, a M11 tem sido um elemento essencial em diversas missões. A viatura contribui também para o esforço de recolha e processamento de informação no âmbito do AgrISTAR, sistema que integra e sincroniza diferentes sensores — desde esquadrões de reconhecimento a radares, guerra eletrónica e sistemas não tripulados — apoiando diretamente uma Brigada em operações.
Leve, furtiva e versátil, a Panhard M11 distingue-se por características operacionais que a tornam particularmente eficaz em cenários de reconhecimento. Tem capacidade anfíbia, pode ser aerotransportada ou até lançada por paraquedas, permitindo uma projeção rápida das forças no terreno. O seu funcionamento silencioso permite aproximações discretas às forças opositoras, sem denunciar a presença das tropas.

O Primeiro-Sargento Cardoso, militar do RC3 desde 2020 e um dos formadores do curso, sublinha a importância desta viatura no contexto operacional moderno.
“É uma viatura de reconhecimento que visa garantir mobilidade tática terrestre, conferindo flexibilidade às forças ligeiras, facultando-lhes proteção blindada ligeira e facilidade de projeção” salientou. No entanto, dominar esta máquina exige preparação rigorosa. Entre os desafios enfrentados pelos formandos, o militar destaca a gestão da equipa e do veículo.
“A maior dificuldade é gerir a guarnição e o condutor, porque a experiência ou a falta dela, bem como o conhecimento do terreno, são determinantes para o resultado final”, disse o Primeiro Sargento.
Entre as tarefas mais exigentes está a preparação da viatura para condução anfíbia, um processo que exige o cumprimento rigoroso de vários requisitos técnicos antes de entrar na água.
Durante os exercícios na Barragem das Aldeias, cada formando tem oportunidade de testar na prática as capacidades da viatura. A segurança é assegurada pelos Bombeiros Voluntários de Estremoz, que acompanham as operações no terreno.

Entre os 18 militares em formação encontram-se duas mulheres, sinal claro da crescente presença feminina nas fileiras da Cavalaria. Uma delas é a Sargento Lourenço, natural de Alter do Chão e atualmente residente na zona de Abrantes.
A militar confessou ter ficado surpreendida com algumas características da viatura: “fiquei surpreendida com o facto de ter capacidade para fazer condução anfíbia, porque há muitas viaturas da mesma família que já não têm essa capacidade.”
A experiência prática tem sido marcante, mas não excessivamente difícil graças à preparação recebida destacou “este tipo de ações de formação são cruciais para que, quando necessário, os militares possam desempenhar as suas funções com sucesso.”
No final do curso, ambiciona ficar colocada perto da sua área de residência, mas admite que a experiência em Estremoz deixou uma impressão muito positiva. “Não conhecia o Regimento de Cavalaria n.º 3 e fiquei surpreendida pela positiva.”

No terreno, acompanhando de perto as atividades, esteve também o Comandante do RC3, Coronel de Cavalaria Luís Pimenta, que sublinha a importância de motivar os futuros quadros permanentes da arma de Cavalaria.
Segundo o responsável, o objetivo é que estes jovens militares desenvolvam ambição e vontade de servir nas unidades de Cavalaria do Exército Português — e o RC3 é uma das portas abertas para esse futuro. O comandante não esconde o desejo de que alguns destes sargentos escolham Estremoz como destino profissional.
“São também ações de charme para mostrar que o Regimento de Cavalaria de Estremoz tem as portas abertas, que aqui cabe sempre mais um e que ninguém é deixado para trás” realçou. Luís Pimenta acredita mesmo que cerca de metade dos formandos poderá escolher o RC3, cenário que considera positivo para todos.
Se assim acontecer, ganhará o Exército, reforçando os seus quadros especializados. Ganhará o RC3, que verá fortalecida a sua capacidade operacional. E ganhará também Estremoz, que continua a afirmar-se como uma cidade profundamente ligada à história e ao futuro da Cavalaria portuguesa.
Mais do que um simples centro de formação, o Regimento de Cavalaria n.º 3 é hoje um verdadeiro pilar estratégico do Exército Português, onde tradição, tecnologia e espírito de missão caminham lado a lado. Aqui formam-se militares preparados para enfrentar desafios complexos, servir o país e honrar uma das mais antigas e nobres armas das Forças Armadas. No RC3, continua a escrever-se diariamente uma história de coragem, dedicação e serviço a Portugal.
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