O Alentejo poderá passar a contar, já em 2027, com a sua primeira Orquestra Regional, depois de ter sido lançado o aviso de financiamento destinado à criação da estrutura, apresentado esta sexta-feira, 17 de julho, no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, durante uma sessão pública de esclarecimento sobre o projeto.
À margem da iniciativa, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo para a área da Cultura, Henrique Sim-Sim, classificou o momento como “um dia muito feliz” para a região, sublinhando que o lançamento do aviso representa um passo decisivo para colmatar uma lacuna histórica e destacou que “o Alentejo era a única região que não tinha uma orquestra regional”, acrescentando que “este aviso permitirá que as forças vivas do território, em conjunto com os municípios e outras instituições, se mobilizem para constituir essa orquestra”.
Segundo o responsável, o financiamento agora disponibilizado pretende criar condições para que os agentes culturais apresentem uma candidatura conjunta, possibilitando a constituição de uma estrutura que contribuirá para a dinamização da atividade musical, a circulação de espetáculos e o desenvolvimento de ações de mediação cultural junto de diferentes públicos.
Henrique Sim-Sim enquadrou esta medida num conjunto de investimentos recentes na área da cultura, recordando o lançamento de um programa de apoio às filarmónicas e outros projetos em curso na região. “Apesar das dificuldades, das limitações orçamentais e do muito que há por fazer, têm vindo a ser dados passos consecutivos, consequentes e consistentes para ultrapassar algumas destas dificuldades”, destacou.
Questionado sobre se este representa uma vitória para o Alentejo, o vice-presidente da CCDR considerou que o compromisso assumido pelo Governo demonstra uma aposta no equilíbrio territorial e afirmou que “é uma vitória para o território e para a região”, sublinhando que “isto é acima de tudo uma vitória da cultura a nível nacional, que olha para o território alentejano e não o esquece”.
Caso o projeto avance, a futura Orquestra Regional do Alentejo deverá integrar, numa primeira fase, 31 músicos, criando novas oportunidades para profissionais da região e promovendo uma programação descentralizada em articulação com os municípios, a Universidade de Évora e outras entidades culturais.
Para Henrique Sim-Sim, a criação da orquestra representará “um instrumento importante de desenvolvimento da área da música”, capaz de reforçar a oferta cultural e de aproximar diferentes públicos da música erudita em todo o território alentejano.
A abertura do aviso de financiamento marca assim o arranque de um processo que poderá dotar o Alentejo de uma estrutura artística há muito reivindicada, cabendo agora às entidades culturais da região organizarem uma candidatura conjunta. Se o calendário previsto for cumprido, a Orquestra Regional do Alentejo poderá entrar em funcionamento em 2027, reforçando a criação, produção e circulação musical no território e contribuindo para a afirmação da região no panorama cultural nacional.

