Com a descida da água do Rio Sado, que já permite ver novamente ver as ruas, a população e os serviços municipais de Alcácer do Sal ‘arregaçam as mangas’ e tentam limpar a destruição causada pela cheia.
Ao longo da zona ribeirinha e da marginal da cidade alentejana, no distrito de Setúbal, a agência Lusa observou hoje populares, comerciantes e funcionários do município empenhados na limpeza de ruas, habitações e negócios afetados pelas inundações do rio, que galgou as margens, desde quarta-feira da semana passada.
A destruição é notória. Na rua paralela à marginal, há lojas com as vitrinas partidas, lama e muitos objetos de várias cores e formas, trazidos pelo rio, como bolas, cadeiras e até uma casa de banho portátil.
A Lusa encontrou Vítor Rosa, presidente da Associação dos Serviços Sociais Culturais e Desportivos das Autarquias do Concelho de Alcácer do Sal, na sede desta instituição, na rua paralela à marginal, a retirar móveis, computadores e outros materiais danificados.
Segundo o presidente da associação, a sede foi totalmente inundada e a água chegada até ao teto, ou seja, a mais de 1,50 metros. Destruiu tudo, por exemplo a pasta com todos os associados, relatou.
“Hoje de manhã, estivemos cá, já não tínhamos água na rua nem lá dentro, e começámos imediatamente a proceder à limpeza e a tirar as coisas”, disse Vítor Rosa. Só agora conseguiu aceder ao edifício e disse acreditar que vai conseguir erguer a associação com a ajuda das autarquias, mas teme que o processo seja demorado.
Percorrendo a zona ribeirinha até ao Largo Luís de Camões, encontram-se vários funcionários do município a limpar, como é o caso de Verónica Emídio.
“Estamos a limpar os caniços e tudo o que veio com a água para que, se houver novamente perigo de cheia, pelo menos está tudo desobstruído”, contou.
Verónica Emídio revelou que, antes de ser destacada para a limpeza, tratava dos animais no canil municipal, porque “o senhor que tratava [desta área] estava ‘preso’ na Barrosinha”, na periferia da cidade, devido à inundação.
Na sexta-feira, a água das cheias baixou significativamente e hoje já não há água no Largo do Mercado Municipal e num dos lados da Avenida dos Aviadores.
Apesar da descida do nível do Sado ter permitido o início dos trabalhos de limpeza, a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, alertou que o cenário ainda é crítico.
Com as barragens no limite da capacidade e a persistente incerteza meteorológica, a autarca avisou que a situação “permanece marcada por uma grande intranquilidade”.
No balanço apresentado hoje, o município indicou que foram retiradas 203 pessoas das suas habitações e assinalou graves danos estruturais que mantêm diversas vias do concelho fechadas ao trânsito.
No bairro do Forno da Cal, a autarquia teve de recorrer a uma “solução criativa pela linha férrea para levar alimentos e ver o que é que as pessoas precisavam”, dada a impossibilidade de acesso rodoviário.
Embora os danos materiais sejam considerados “imensos”, a prioridade absoluta mantém-se na assistência logística e na segurança das populações, de acordo com Clarisse Campos.
“Temos conseguido salvaguardar a vida das pessoas, não temos vítimas. Os danos materiais, nós conseguimos repor”, destacou.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
FOTO| Câmara Municipal de Alcácer do Sal

