Portugal registou 55 mortes maternas entre 2020 e 2024, segundo uma análise nacional que aponta para diferenças regionais relevantes, com o Alentejo entre as regiões com rácios de mortalidade materna mais elevados no país durante este período.
De acordo com os dados divulgados pela DGS, o rácio de mortalidade materna variou anualmente entre 8,8 e 20,0 mortes por cada 100 mil nados-vivos. A análise ao longo de cinco anos permitiu uma leitura mais consistente da realidade nacional, reduzindo o impacto das oscilações anuais provocadas pelo número relativamente reduzido de casos.
A distribuição por idade revela um padrão claro: a maioria das mortes maternas ocorreu em mulheres com 35 ou mais anos. No total, 61,8% dos óbitos registaram-se neste grupo etário. As mulheres entre os 35 e os 39 anos apresentaram um rácio de 18,3 mortes por 100 mil nados-vivos, enquanto nas mulheres com mais de 39 anos esse valor atingiu 43,4, o mais elevado entre todos os grupos analisados.
Relativamente à nacionalidade, os dados mostram rácios semelhantes entre mulheres portuguesas e estrangeiras — ambos com 12,9 mortes por 100 mil nados-vivos. A maioria das mulheres que morreram residia em Portugal (98,2%), sendo 80% de nacionalidade portuguesa e 18,2% estrangeira.
No plano territorial, embora a região de Lisboa e Vale do Tejo concentre o maior número absoluto de mortes maternas, os rácios mais elevados foram registados no Alentejo e no Algarve. Especialistas alertam, contudo, que estes valores devem ser interpretados com prudência devido à menor dimensão populacional destas regiões e ao reduzido número de casos.
Quanto ao momento em que ocorreram os óbitos, quase metade (49,1%) verificou-se no período pós-parto, até 42 dias após o fim da gravidez, enquanto 41,8% aconteceram durante a gestação. A maioria das mortes ocorreu em instituições de saúde (81,8%), refletindo a transferência de situações clínicas complexas para hospitais.
Em termos clínicos, cerca de metade das mortes maternas foi classificada como direta (49,1%), associada a complicações obstétricas. Entre estas, destacam-se os distúrbios hipertensivos relacionados com a gravidez, o parto e o puerpério, bem como outras complicações obstétricas.
As mortes maternas indiretas representaram 50,9% dos casos e estiveram sobretudo ligadas a doenças do aparelho circulatório, responsáveis por 57,1% destas situações, incidindo principalmente em mulheres com idades maternas mais avançadas.
De forma global, os resultados sugerem que a mortalidade materna em Portugal está fortemente associada ao aumento da idade materna, à presença de doenças prévias e à complexidade clínica da gravidez, do parto e do período pós-parto. Os especialistas sublinham a necessidade de reforçar estratégias de prevenção, vigilância e acompanhamento médico ao longo de todo o processo reprodutivo, especialmente em regiões como o Alentejo, onde os rácios relativos se revelam mais elevados.

