O recurso a cesarianas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) voltou a aumentar em 2025, atingindo um novo máximo. De acordo com dados avançados pelo jornal Público, foram realizados mais de 22 mil partos cirúrgicos no setor público, o que representa uma subida de cerca de 5% face ao ano anterior.
No conjunto do país, as cesarianas corresponderam a 33,2% dos nascimentos no SNS, confirmando uma tendência de crescimento que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos. O Alentejo surge em destaque neste cenário, com uma das taxas mais elevadas do país: 38,9% dos partos foram realizados por via cirúrgica.
A região Norte lidera em números absolutos, ultrapassando pela primeira vez as oito mil cesarianas, o equivalente a 36,2% do total de partos. Já em Lisboa e Vale do Tejo, também foram registadas mais de oito mil cirurgias, correspondendo a 32,4%, enquanto o Algarve apresentou uma taxa de 35,1%.
Entre as principais razões apontadas para este aumento estão fatores clínicos e sociais, como a maior idade das mães, a prevalência de obesidade, o aumento de gravidezes de risco e o histórico de cesarianas anteriores. A estes somam-se dificuldades no próprio sistema de saúde, incluindo a falta de especialistas em obstetrícia, o encerramento de urgências e a crescente dependência de médicos em regime de prestação de serviços.
Apesar de os dados disponíveis no Portal do SNS dizerem respeito apenas ao setor público, Portugal continua a figurar entre os países com taxas mais elevadas de cesarianas — um indicador geralmente associado a desafios na qualidade dos cuidados de saúde materno-infantis.

