As Festas do Povo de Campo Maior foram oficialmente inauguradas na manhã deste sábado, 8 de agosto, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, António José Seguro, da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e de várias outras entidades.
Perante as ruas de Campo Maior transformadas num gigantesco jardim de flores de papel, António José Seguro destacou o trabalho, a criatividade e, sobretudo, o espírito comunitário que está na origem daquela que é uma das mais emblemáticas manifestações culturais do país e afirmou estar “deslumbrado com o resultado do empenho, com o talento e com a dedicação de todas as pessoas desta bonita terra de Portugal”.
Para António José Seguro, a dimensão das Festas do Povo ultrapassa largamente a sua reconhecida beleza e revelou que “as Festas do Povo mostram ao país e ao mundo que quando uma comunidade se une em torno de um sonho comum, é capaz de alcançar resultados extraordinários”.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado destacou o processo de criação das flores e o trabalho coletivo que, ao longo de meses, envolve milhares de pessoas. O papel, as cores e as formas, explicou, dão corpo a uma tradição transmitida de geração em geração e que encontra nas mãos dos campomaiorenses a sua principal força.
“O papel que se dobra e cumpre o milagre das rosas, a beleza de um gesto que é antes de mais solidário, a casa das flores que durante meses guarda o segredo de uma rua e que agora se revela em todo o seu esplendor”, afirmou.
António José Seguro evocou ainda a expressão que identifica o espírito das Festas do Povo: “as mãos que fazem a tradição”, considerando que as mais de uma centena de ruas decoradas representam uma manifestação profunda da identidade da comunidade e lembrou que “há um sítio no mundo onde as flores nascem quando o povo quer”, lembrou, numa referência ao lema que pode ser encontrado em Campo Maior.
O Presidente da República destacou também o reconhecimento das Festas do Povo como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2021, considerando, contudo, que o seu valor é muito anterior a essa distinção. “Não foi preciso esperar pelo reconhecimento da UNESCO em 2021, porque desde a sua origem, há mais de um século, estas são as Festas do Povo e da humanidade”, afirmou.
Para o Presidente, o verdadeiro património das festas está nas pessoas e nos laços que se estabelecem entre elas. “O que aqui se constrói não são apenas ruas enfeitadas, é tecido comunitário. São laços sociais em sociedades deslaçadas”, afirmou, considerando Campo Maior “um verdadeiro exemplo de humanismo e de empatia”.
Na sua intervenção, António José Seguro recordou também a memória do Comendador Rui Nabeiro, que classificou como “um dos grandes impulsionadores desta manifestação coletiva”, sublinhando que a sua presença permanece na memória das festas e da comunidade.
O Presidente da República aproveitou ainda para estabelecer um contraste entre o espírito das Festas do Povo e o ritmo acelerado da sociedade atual. “Vivemos um tempo em que quase tudo é imediato, descartável e feito para durar pouco, um tempo em que se compra o que antes se fazia e em que a pressa substitui a paciência. Campo Maior faz exatamente o contrário”, afirmou.
Durante meses, milhares de pessoas dedicam-se voluntariamente à produção das flores de papel que decoram as ruas, muitas vezes durante noites de trabalho, em momentos de convívio e partilha e afirmou que “aqui, durante meses, milhares de mãos dobram papel, sem pressa, sem pagamento, sem outra recompensa que não seja o orgulho de ver a sua rua florir”.
É precisamente nesse trabalho coletivo que António José Seguro identifica a principal força das Festas do Povo. “É por isso que estas festas são património da humanidade, pela beleza que é imensa, mas igualmente por algo que o mundo está a esquecer, que as comunidades constroem com tempo, com paciência e com trabalho partilhado”, afirmou.
O Presidente deixou ainda um apelo para que o exemplo de Campo Maior possa inspirar o país, defendendo que “Portugal precisa deste espírito” e de “comunidades que acreditam em si próprias, que trabalham juntas e que mostram que a cooperação e a entreajuda é sempre mais forte que os egoísmos e os divisionismos”.
Ao longo da cerimónia, foi igualmente valorizado o papel das diferentes gerações na preservação de uma tradição centenária, numa manifestação cultural que mobiliza a população local e atrai visitantes de várias regiões de Portugal e também do estrangeiro.
“Campo Maior demonstra que a identidade de um povo é energia suficiente para um resultado tão meticuloso como grandioso”, afirmou António José Seguro.
As Festas do Povo decorrem até 16 de agosto, permitindo aos visitantes percorrer as ruas de Campo Maior cobertas por milhares de flores de papel, resultado de meses de trabalho voluntário e coletivo da população.
“Desejo que estas flores continuem a abrir caminhos de esperança, que estas ruas continuem a ser lugar de encontro entre gerações e que Campo Maior continue a ensinar a Portugal a lição mais simples e mais difícil de todas porque quando um povo se une, nada é impossível.”
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:





























































































































































































