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As mal-amadas osgas que nos fazem tanta falta. Sobretudo neste verão escaldante

Deram-lhe fama de venenosa e peçonhenta, gerando uma aversão ancestral. Mas os biólogos garantem que “é tudo mentira” e que a osga faz muita falta, sobretudo em zonas do Alentejo mais afetadas pelas populações de mosquitos. As margens de Alqueva, por exemplo, onde nesta altura do ano há troços onde os mosquitos são aos milhões. Os biólogos revelam que cada réptil é capaz de comer 20 insetos por hora.

A acusação mais comum que atinge a osga é a de que provoca doenças de pele, como o zona, febres altas e dores intensas quando entra em contacto com o homem. Que até podem levar à morte! Mitos e crenças que vitimaram a osga ao longo de séculos. Mas, afinal, está tudo errado.

Aliás, este réptil é completamente inofensivo, sendo considerado um “bom insecticida” em face da capacidade de comer os tais cerca de 20 mosquitos durante uma hora, havendo biólogos que defendem a necessidade de “derrubar” crenças instaladas entre a população da região, que têm gerado uma aversão ancestral em torno da espécie.

Isto numa altura em que a osga-turca, com uma distribuição mais restrita em território português do que a osga-comum, entrou definitivamente em declínio.

Uma das características especiais deste réptil, sem pálpebras nos olhos, que levanta suspeitas entre a população sobre a presença de veneno, está associada à forma como a osga liberta a sua cauda, que por instantes continua em movimento. Porém, este processo não é mais do que uma reacção defensiva do animal sempre que se sente ameaçado por algum predador.

Ou seja, quando pressente que um gato ou uma ave de rapina (os seus principais perseguidores) estão prestes a alcançá-lo, joga a “última cartada”. Solta o rabo para um lado e foge pelo outro, numa autêntica manobra e diversão. Como a cauda continua em movimento, consegue atrair a atenção do predador, dando tempo para que encontre “porto seguro”. O rabo há-de voltar a crescer, embora mais liso e curto, não recuperando a cor original.

De resto, a coloração entre as osgas é das características que apresentam maiores variações, podendo um exemplar alterar a sua própria tonalidade consoante o estado fisiológico ou quando procura camuflar-se no meio ambiente.

Contudo, para os biólogos, o mais curioso é a capacidade da osga andar por superfícies lisas e de cabeça para baixo «durante horas a fio», segundo a investigação realizada. Não o consegue com ventosas, ou com qualquer substância pegajosa, mas antes devido às inúmeras micropilosidades que possui nas lamelas das patas. Como se de um velcro se tratasse.

É com este mecanismo que logra chegar bem perto dos candeeiros, caminhando lentamente, para emboscar os mosquitos, atraídos pela luminosidade, as traças e as aranhas, apresentando-se como um voraz insectívora. Além dos vinte mosquitos em apenas uma hora, consegue caçar borboletas, saltando-lhes em cima depois de garantida uma curta distância da presa.

FOTO | DR

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