O Baixo Alentejo, particularmente a zona de Aljustrel, está entre as áreas portuguesas com níveis mais preocupantes de salinização dos rios, revela um estudo internacional publicado na revista Nature Communications.
A investigação, que apresenta o primeiro mapa europeu dedicado ao fenómeno, conclui que cerca de metade da rede fluvial da Europa apresenta níveis de salinização superiores ao normal, com impactos na biodiversidade, agricultura e qualidade da água.
Na bacia hidrográfica do Sado foi identificada uma das situações mais graves. Numa sub-bacia centrada no concelho de Aljustrel, que inclui a Ribeira do Roxo, a condutividade elétrica da água aumentou 225%, ultrapassando três vezes o valor considerado natural. A zona, onde se localiza a Barragem do Roxo, foi classificada como apresentando salinização severa.
Outra área do rio Sado registou um aumento de 88%. Em Alcanena, no distrito de Santarém, verificou-se uma subida de 116%.
A salinização resulta da acumulação excessiva de sais na água doce e pode provocar perda de biodiversidade, degradação dos habitats aquáticos e mortalidade de peixes. Entre os fatores que contribuem para o agravamento do problema estão a agricultura de regadio, águas residuais, alterações no uso do solo e extração de recursos.
O estudo alerta ainda que cerca de 1% da rede fluvial europeia já ultrapassa os limites considerados seguros para consumo humano, enquanto 3% apresenta níveis inadequados para rega e utilização industrial.
Os investigadores defendem uma maior monitorização dos rios e uma gestão coordenada dos recursos hídricos para travar o avanço deste fenómeno.

