O grupo parlamentar do BE questionou o Governo sobre a razão de a nova residência de estudantes do Instituto Politécnico de Beja permanecer “vazia” cinco meses após a inauguração, exigindo saber quando entrará em funcionamento.
Numa pergunta entregue na Assembleia da República na terça-feira, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda argumenta que a infraestrutura “deveria ser um caso de sucesso na gestão de fundos públicos e na resposta social”, mas tornou-se “um exemplo preocupante de gestão política voltada para a propaganda em detrimento da funcionalidade real”.
A nova residência do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) foi inaugurada em 25 de setembro, cerca de duas semanas antes das eleições autárquicas.
No documento dirigido ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e assinado pelo deputado Fabian Figueiredo, o BE pede Governo que justifique o porquê do atraso no alojamento de estudantes e confirme se a inauguração do espaço ocorreu “antes de estarem garantidas as condições mínimas de habitabilidade, como o fornecimento de energia e comunicações”.
O grupo parlamentar questiona também a tutela sobre “as diligências concretas” que foram tomadas “junto da E-Redes para acelerar as ligações elétricas necessárias ao pleno funcionamento do equipamento”, assim como qual “a data definitiva” para a entrada em funcionamento da residência.
Também na terça-feira, o Público noticiou que a “residência de estudantes de Beja inaugurada 15 dias antes das autárquicas continua em obras”.
Em declarações ao jornal, a presidente do IPBeja, Maria de Fátima Carvalho, adiantou que o atraso no alojamento de estudantes deveu-se a “diversos procedimentos”, nomeadamente às “ligações elétricas, a cargo da E-Redes, necessárias para testar o equipamento no seu pleno”.
Maria de Fátima Carvalho assumiu o dia 01 de abril como data provável para iniciar a disponibilização de alojamentos, embora admitindo “algum ceticismo”.
Segundo o BE, o Governo “deve explicações claras sobre este ‘faz-de-conta’ administrativo”, sendo “urgente clarificar quando é que, finalmente, a Residência Europa passará de ser um palco de propaganda a um lar para os estudantes do politécnico de Beja”.
“Não basta anunciar milhões do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] ou inaugurar paredes, é preciso garantir que o investimento público se traduz efetivamente em direitos e em camas disponíveis para os estudantes”, salienta o partido.
Para os bloquistas, a situação assume proporções maiores “pelo facto de o IPBeja enfrentar uma crise de procura sem precedentes”, uma vez que “no último concurso nacional de acesso centenas de vagas em licenciaturas estruturantes ficaram por preencher”, com cursos a registarem “zero entradas em determinadas fases”.
Por esse motivo, o grupo parlamentar questiona ainda a tutela sobre as medidas a adotar “para articular a oferta habitacional agora criada com uma estratégia de revitalização do ensino superior no interior do país”.
O BE interroga também o Ministério da Educação sobre quais os projetos de alojamento financiados pelo PRR que estão a seguir o “modelo de inauguração precoce [e] sem utilidade imediata para os estudantes”.
A nova residência de estudantes, localizada junto à Escola Superior de Tecnologia e Gestão, inclui um piso térreo e três pisos elevados com 327 alojamentos, divididos por 126 quartos individuais e 150 duplos e por 25 estúdios individuais e 26 duplos.
Segundo o IPBeja, 15 quartos estão adaptados para pessoas com mobilidade reduzida.
O alojamento, que contou com um investimento de cerca de 22 milhões de euros, tem ainda zonas de convívio e de estudo, cozinhas comunitárias, áreas técnicas, espaços de refeição, uma lavandaria, um ginásio, um claustro, um pátio interior e uma zona verde não coberta.

