O Bloco de Rega de Reguengos de Monsaraz vai mesmo avançar, com um investimento de 35 milhões de euros, depois de o Governo assegurar uma nova solução de financiamento que permite desbloquear definitivamente a obra, considerada estratégica para o concelho e para a região.
A confirmação foi feita pelo Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que anunciou na tarde desta sexta-feira, 10 de abril, em visita ao Centro Hidráulico de Reguengos de Monsaraz, que já foi assinada a portaria necessária para viabilizar o financiamento plurianual do projeto, ultrapassando os entraves legais e burocráticos.
O financiamento será assegurado através do Banco Europeu de Desenvolvimento, no âmbito de uma reprogramação financeira que envolve também o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Segundo o ministro, os investimentos da EDIA em painéis fotovoltaicos passarão a ser financiados pelo PRR, libertando assim verbas anteriormente previstas para esse fim.
“Os 35 milhões de euros de Reguengos de Monsaraz serão financiados pelo Banco Europeu de Desenvolvimento”, referiu o ministro, acrescentando que “uma vez que os investimentos da EDIA relacionados com painéis fotovoltaicos passam a ser financiados pelo PRR, aquilo que estava destinado em termos de Banco Europeu de Desenvolvimento para o fotovoltaico, passou agora a ser destinado para o bloco de rega de Reguengos de Monsaraz”.
Apesar da complexidade da solução financeira, José Manuel Fernandes sublinhou que o essencial é a concretização da obra e referiu que “o importante é que as obras sejam feitas, porque os agricultores não querem saber de onde é que vem o dinheiro, eles querem é que as obras se façam”.
Também a presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, destacou a importância deste momento, considerando que se trata de um “ponto de não retorno” para o projeto. “O senhor Ministro da Agricultura trouxe a boa notícia da publicação de uma portaria que já foi assinada e remetida agora para publicação no Diário da República e que tem a ver com o financiamento do Bloco de Rega de Reguengos de Monsaraz”, afirmou.
A autarca revelou ainda que “logo que saia a portaria em Diário da República, deverá avançar também o concurso da empreitada e, a partir estará a obra no terreno”. “Neste momento já me parece que nós estamos num ponto de não retorno, foram muitos anos à espera e neste momento, eu não acredito que a obra já não aconteça”, sublinhou ainda.
O Bloco de Rega tem como principal objetivo levar água do Alqueva aos agricultores do concelho, numa região marcada pela escassez hídrica. “A obra do Bloco de Rega tem como objetivo fundamental trazer água de Alqueva aos agricultores do concelho de Reguengos de Monsaraz porque temos um problema regional e local no que diz respeito à água”, explicou Marta Prates.
A autarca destacou ainda a importância da agricultura, em particular da vitivinicultura, para a economia local. “Nós vivemos fundamentalmente no nosso concelho da vitivinicultura, temos muito vinho e esse é o nosso principal motor de desenvolvimento”, referiu, acrescentando que a vinha deixou de ser uma cultura de sequeiro, dependendo hoje da rega. Com a concretização do projeto, os agricultores passarão a ter acesso direto à água.
Além do impacto direto na agricultura, a presidente da câmara acredita que o investimento terá efeitos estruturantes em toda a economia local, podendo impulsionar a criação de um cluster agroindustrial. “Esta obra não é boa apenas para os agricultores, é boa para todo o concelho, porque vai desenvolver muito o concelho e nós acreditamos, inclusivamente, que se possa criar um cluster agroindustrial”, afirmou, apontando para efeitos positivos no comércio, turismo e indústria.
Para Marta Prates, trata-se da “obra magna desta década” no concelho, com impacto significativo também ao nível da coesão territorial e destacou que “um concelho desenvolvido é um concelho que progride, um concelho que não se desenvolve, não progride”.
O avanço do Bloco de Rega de Reguengos de Monsaraz representa um marco decisivo para o desenvolvimento do concelho, encerrando anos de e incerteza e abrindo caminho a uma nova fase de crescimento económico e sustentabilidade agrícola. Com financiamento assegurado e condições criadas para o início da obra, reforça-se a confiança de autarcas e agricultores num projeto que promete transformar o território, garantir maior resiliência hídrica e impulsionar setores estratégicos como a vitivinicultura. Mais do que um investimento, trata-se de um passo estruturante para o futuro da região, com impacto duradouro na sua competitividade e qualidade de vida.

