A eventual instalação do futuro Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa em áreas do concelho de Monforte está a levantar preocupações entre autarcas e proprietários agrícolas. O presidente da Câmara, Miguel Rasquinho, alerta para possíveis perdas de terrenos produtivos e de postos de trabalho, defendendo uma avaliação rigorosa dos impactos do projeto.
Em declarações à Rádio Campanário, o autarca revelou que a questão foi recentemente debatida com agricultores da região, sendo a possível perda de terrenos agrícolas e de postos de trabalho uma das maiores inquietações da população afetada.
Segundo Miguel Rasquinho, os mapas a que o município teve acesso apontam para a ocupação de uma área considerável do concelho. O edil considera que, a concretizar-se o projeto nos moldes atualmente conhecidos, Monforte poderá sofrer consequências relevantes ao nível económico e social.
“Vamos perder uma faixa significativa do concelho. Aquilo que se antevê é a perda de terrenos agrícolas e de empregos”, afirmou à Rádio Campanário, sublinhando que, até ao momento, não identifica benefícios concretos para o território.
O autarca alertou ainda para a existência de um gasoduto que atravessa a área potencialmente destinada ao empreendimento militar, situação que já terá sido comunicada ao ministro da Defesa Nacional.
Além dos estudos de impacte ambiental, Miguel Rasquinho defende que deve ser realizada uma avaliação aprofundada dos efeitos socioeconómicos do projeto, de forma a medir o impacto que poderá ter na atividade agrícola, no emprego e no desenvolvimento local.
Questionado sobre a posição do município, o presidente da Câmara esclareceu que a autarquia não assume uma posição de oposição ou apoio ao projeto, mas considera fundamental conhecer quais serão as vantagens para a região.
“Não somos contra nem a favor mas não encontro nada de benéfico para o concelho”, salientou.
Recorde-se que o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou em março a escolha do concelho de Alter do Chão para acolher o futuro Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa. A infraestrutura deverá ocupar uma área na ordem dos 7.500 hectares, embora ainda não tenham sido divulgados em detalhe os limites exatos da sua implantação nem o eventual impacto em concelhos vizinhos.

