Os vereadores da CDU na Câmara de Serpa exigiram ao presidente do município (PS) o acesso a “todos os elementos técnicos” que sustentaram o encerramento ao público do cineteatro e informação sobre as patologias identificadas no edifício.
Em comunicado, os três vereadores da CDU neste município do distrito de Beja, conquistado pelo PS nas autárquicas de 2025, revelaram ter apresentado um requerimento ao presidente da autarquia, Francisco Picareta, a formalizar “a exigência de acesso a todos os elementos técnicos que possam sustentar o encerramento” do cineteatro municipal.
Além disso, os vereadores eleitos pela coligação liderada pelo PCP – João Dias, Paulo Silva e Manuela Pica – solicitaram outras informações sobre os alegados problemas do equipamento.
De acordo com o comunicado, pretendem ter acesso a “informação detalhada sobre a natureza, gravidade e extensão das patologias identificadas e eventual intervenção de entidades externas independentes”, até à reunião camarária marcada para 08 de abril.
A posição dos eleitos da CDU surge na sequência da decisão da câmara de encerrar ao público “por tempo indeterminado” o Cineteatro Municipal de Serpa, devido à “identificação de graves patologias do edifício” e por estar a funcionar sem licenciamento desde 2015.
No passado dia 24, como a agência Lusa noticiou então, o município revelou, em comunicado, que o encerramento do edifício se deveu a “diversas questões relacionadas com a segurança e com a falta de condições adequadas de funcionamento do equipamento”.
Contactado então pela Lusa, o presidente da autarquia justificou que a decisão foi tomada depois de o executivo ter recebido, por parte dos serviços municipais, um relatório sobre as condições atuais do edifício, solicitado após visitas realizadas na sequência do mau tempo verificado em fevereiro.
“Recebemos, na semana passada, a informação dos serviços de que o edifício não dispunha de licenciamento pela IGAC [Inspeção-Geral das Atividades Culturais] desde 2015, devido ao incumprimento de normas de segurança”, disse Francisco Picareta.
O presidente da autarquia alertou que em causa está uma “degradação física progressiva” do equipamento cultural, com “infiltrações graves, colapso de tetos, possíveis danos estruturais em algumas zonas, coberturas que não têm o isolamento como deve ser, sistemas de segurança contra incêndios completamente obsoletos e dejetos de aves e materiais perigosos nas coberturas”.
“Portanto, e por muito que nos custasse, não nos restou outra posição que não a de encerrar o cineteatro, retirar as associações culturais e desportivas que lá estavam a funcionar para outras instalações e fecharmos completamente o edifício”, argumentou.
No comunicado agora divulgado, os eleitos da CDU vincaram que, face ao próprio comunicado do município, não foram “apresentados ou disponibilizados aos vereadores, até ao momento, relatórios, pareceres ou vistorias técnicas que sustentem, de forma clara, a necessidade de encerramento imediato” do cineteatro.
“Tratando-se de um equipamento cultural central no concelho, com reconhecido impacto cultural, social e institucional, uma decisão desta natureza exigia fundamentação técnica rigorosa, transparência e análise em reunião de Câmara, assegurando o necessário escrutínio político. Tal não se verificou”, criticaram.
Os vereadores argumentaram ainda que, “nos últimos anos, foram realizadas intervenções no edifício, designadamente em 2024 e 2025, que representaram um investimento superior a 200 mil euros, incidindo sobre a cobertura, impermeabilização, reforço estrutural e melhorias cénicas”, pelo que é “ainda mais exigível esclarecer o impacto dessas intervenções face aos problemas agora invocados”.

