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CECHAP classifica achado arqueológico em pedreira de Vila Viçosa como “único à escala nacional e da Península Ibérica”

Uma reunião técnica realizada esta quarta-feira, 2 de setembro, em Vila Viçosa, marcou o retomar do processo para encontrar uma solução de salvaguarda e eventual classificação de vestígios arqueológicos considerados de “muito interesse”, identificados no interior de uma pedreira de mármore do concelho.

O encontro, promovido a convite do Centro de Estudos CECHAP, juntou várias entidades ligadas ao património, à arqueologia, à geologia e ao desenvolvimento regional, entre as quais o Vice-Presidente da CCDR Alentejo, Henrique Sim-Sim, técnicos superiores da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), arqueólogos da Universidade de Évora e representantes da Câmara Municipal de Vila Viçosa.

Em representação do CECHAP, Carlos Filipe considera que a reunião permitiu dar o primeiro passo para uma solução conjunta que permita preservar aquele que descreve como um espaço arqueológico de lavra do período romano “único à escala nacional e à escala da Península Ibérica” e explicou que “esta foi uma reunião técnica que juntou diversas entidades no pressuposto de procurar encontrar uma solução para a classificação de um achado arqueológico numa pedreira no concelho de Vila Viçosa”.

Segundo Carlos Filipe, o encontro serviu para sensibilizar as diferentes entidades para a importância do sítio arqueológico, cabendo agora a cada departamento procurar, dentro da sua área de intervenção, uma forma de dar continuidade ao processo e revelou que “a ideia, no fundo, é salvaguardar um espaço arqueológico de lavra do período romano, único à escala nacional e à escala da Península Ibérica”, sublinhou.

O responsável do CECHAP recordou que a preocupação com a preservação deste património não é recente. O sítio já era conhecido há vários anos e, há cerca de uma década, tinha sido procurada uma solução para a sua classificação, sem que o processo tivesse então avançado. “Agora retomamos este processo, juntamente com o município, com a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo e a Direção-Geral de Energia e Geologia, em que todos participam neste interesse comum que é salvaguardar aquele património arqueológico”, afirmou.

Uma das questões abordadas na reunião foi a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a preservação dos vestígios arqueológicos, a atividade industrial da pedreira e uma eventual valorização turística do espaço.

Para Carlos Filipe, a salvaguarda do património deve avançar sem criar “qualquer atrito ou dificuldade à indústria”, reconhecendo o papel fundamental dos industriais na região e defendeu que “os industriais têm um papel fundamental, mas também podem ter um papel, neste caso, de sensibilidade, acolhendo exatamente aquilo que é possível para preservar aquele achado arqueológico”.

O representante do CECHAP considera que a solução deverá resultar de uma cooperação entre todas as partes envolvidas, através de um processo assente no diálogo e defende que essa cooperação deve envolver a indústria, as entidades públicas e a salvaguarda dos elementos arqueológicos, sublinhando que, “se tudo isto for compaginado através de diálogo aberto, será de utilidade para todos”. Nesse sentido, afirmou não ver “qualquer dificuldade” na concretização desta solução.

A eventual integração da pedreira na Rota do Mármore foi também colocada em cima da mesa. Carlos Filipe admite que o projeto poderá beneficiar da valorização futura daquele património, mas considera que essa será uma etapa posterior e referiu que “a Rota do Mármore será sempre beneficiária e será sempre a última entidade que vai beneficiar de dar a conhecer a quem nos visita aqueles lugares”.

No entanto, o responsável do CECHAP salienta que, antes de pensar na visitação turística, é necessário assegurar a preservação dos vestígios. “Isso é sempre um processo final, até lá, é um processo que queremos é salvaguardar aquele achado arqueológico e essa é a nossa preocupação”, salientou.

Para já, o processo seguirá no âmbito da comissão técnica constituída pelas diferentes entidades. Cada uma deverá analisar, dentro das suas competências, as possibilidades existentes, com o objetivo de chegar a uma solução conjunta e reiterou que “cada entidade, na sua área, vai procurar encontrar solução, integrá-la num conjunto e decidir o que é melhor para salvaguardar aquele património”.

O processo entra agora numa nova fase, marcada pela análise técnica das diferentes possibilidades de salvaguarda e pela articulação entre as entidades envolvidas. Apesar de ainda não existir uma solução definida, a reunião permitiu reabrir o diálogo em torno de um património arqueológico de reconhecido interesse, ficando como próximo passo a identificação de uma resposta que permita compatibilizar a sua preservação com a continuidade da atividade da pedreira e, numa fase posterior, avaliar o seu eventual aproveitamento para fins de valorização e visitação.

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