10.8 C
Vila Viçosa
Segunda-feira, Fevereiro 9, 2026

Ouvir Rádio

Data:

Partilhar

Recomendamos

Com o Amor como ingrediente principal…Doces da Nini “honram” Arte da Doçaria Alentejana

A arte da Doçaria continua a marcar profundamente a região Alentejo e os Municípios apostam cada vez mais nesta vertente para promoção e divulgação dos seus territórios. Em Vila Viçosa, por força da tradição da Doçaria Conventual, a Câmara Municipal apostou fortemente na divulgação desta arte, dando a possibilidade dos inúmeros doceiros e doceiras da região mostrarem o que de melhor se faz nesta área.

Com o objetivo de valorizar a doçaria no seu todo, com particular destaque para as verdadeiras tentações que outrora “nasciam” dentro dos conventos, decorre este fim de semana a II Feira da Doçaria Conventual, no Convento dos Agostinhos, em Vila Viçosa.

No âmbito desta mostra, teve lugar na manhã de ontem, sábado, o concurso de doces ao qual foi dado o nome de Concurso de Doçaria Lurdes Ramos, uma das maiores doceiras de Vila Viçosa, impulsionadora do evento, que faleceu precisamente no dia em que arrancava esta segunda edição.

De entre um vasto leque de “tentações”, três foram eleitos os melhores entre os melhores, num concurso que primou acima de tudo pela qualidade.

Olímpia Caia, carinhosamente tratada pela comunidade como Nini, participa nesta feira desde a primeira edição e no primeiro ano venceu o concurso com o famoso “Tecolameco”.

Na edição deste ano, Nini voltou a surpreender “arrebatando” o júri não com uma mas com duas iguarias. A calipolense venceu o segundo e o terceiro lugar, com o Tecolameco e o Queijo do Céu, respetivamente.

Em entrevista à Rádio Campanário, Nini sublinha que “independentemente da classificação vale sempre a pena participar nestas dinâmicas” evidenciando que os doces que venceram este segundo e terceiro lugar se destacaram “pela qualidade dos ingredientes utilizados: ovos biológicos, amêndoa moída na altura e não farinha de amêndoa e a preparação utilizando as técnicas à moda antiga.”

A quantidade de açúcar utilizada nestas receitas, tanta vezes questionada, não pode ser ignorada. Nini diz mesmo que “não se pode fugir muito ao que é a tradição destas receitas “ sob pena de o resultar final não ser o pretendido. Esta não é a atividade principal de Olímpia Caia mas isso não a impediu, ao longo dos anos, de se dedicar a esta arte, aprofundando conhecimentos e experimentando receitas.

Apesar de ter tido familiares que lhe ensinaram várias receitas de doces, esse conhecimento foi mais na área da doçaria tradicional mas o desconhecimento sobre a mestria dos doces conventuais despertou em si uma vontade enorme de aprender e pelo que vemos exposto na sua Banca,leva-nos a constatar que sem dúvida tem sido muito bem sucedida.

Devido à sua atividade profissional nunca pensou em abrir o seu próprio negócio mas isso não a limita de “meter as mãos na massa” e fazer nascer verdadeiras obras de arte.

“Trabalho e paciência” são alguns dos segredos decisivos na confeção destes doces. Nini salienta a importância de passar estes conhecimentos para as gerações mais novas e conta-nos que “foi convidada para ensinar os mais jovens a fazer estes e outros doces.”

Nini gosta genuinamente do que faz e sente-se plenamente realizada quando “adoça” a vida de quem prova as suas iguarias. No seu tecolameco, queijo do céu, manjar real, toucinho do céu ou outros doces existem técnicas e matérias primas comuns. Mas em todas as receitas que confeciona há um ingrediente principal: o Amor e a entrega com que se dedica a esta arte, geradores de momentos felizes na vida das pessoas e na sua própria vida.

Porque o Amor gera qualidade, Nini sabe que esta sua paixão pela Doçaria será para toda a vida, reiterando o compromisso de que das suas mãos “sairá sempre o melhor para honrar o Alentejo.”

Pode ler também Ovos, Açucar, Amêndoa:”Toucinho do Céu” vence Concurso de Doçaria Lurdes Ramos em Vila Viçosa.(c/fotos)

Populares