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CRI do Alentejo Central assinala três décadas a cuidar e prevenir no combate às dependências (c/fotos)

O Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central assinalou esta quinta-feira, 16 de abril, três décadas de intervenção nas áreas da prevenção, tratamento e reinserção de pessoas com comportamentos aditivos e dependências na região. A data foi celebrada com a realização do VI Encontro do CRI do Alentejo Central, que decorreu durante a manhã no Auditório da CCDR Alentejo, em Évora.

A iniciativa reuniu profissionais de várias áreas com o objetivo de promover a reflexão sobre os desafios atuais e futuros no domínio das adições, num contexto em constante transformação.

Joana Teixeira, presidente do Conselho Diretivo do ICAD, destacou o impacto positivo da estrutura ao longo das últimas três décadas e afirmou que “a região do Alentejo tem beneficiado muito da intervenção do CRI do Alentejo Central”, acrescentando que “é uma estrutura com 30 anos de presença na comunidade, de bom atendimento aos doentes e de boas atividades de prevenção na região, com uma atividade muito bem desenvolvida e muito profícua.”

A responsável apontou, contudo, desafios significativos, sobretudo ao nível dos recursos humanos. “O principal desafio tem a ver com os recursos humanos, uma área transversal ao Serviço Nacional de Saúde e temos a missão de reforçar a presença de mais profissionais nas nossas unidades do Alentejo, nomeadamente no CRI Alentejo Central.”

Apesar das limitações, Joana Teixeira destacou o empenho das equipas no terreno e sublinhou que “há profissionais muito dedicados e o ICAD valoriza claramente a necessidade de dar apoio aos doentes e manter as intervenções porque há essa responsabilidade para com as pessoas”, salientando ainda que “apesar dos poucos recursos, o ICAD está a desenvolver novas estratégias para melhorar a acessibilidade, sobretudo em zonas mais isoladas do Alentejo”, explicou.

Paulo Jesus, coordenador do CRI do Alentejo Central, sublinhou a importância deste momento não apenas como celebração, mas também como uma oportunidade de balanço e projeção do futuro. “Estes momentos são de celebração, mas também de alguma paragem e reflexão sobre a nossa ação”, acrescentando que “o trabalho em comportamentos aditivos assenta numa dinâmica tremenda, onde todos os dias somos desafiados, porque o próprio fenómeno das dependências passou de uma centralidade na substância para a centralidade no comportamento com potencial aditivo”.

O responsável destacou ainda a necessidade de uma resposta coletiva face a estes desafios e afirmou que “sendo este um desafio permanente, ele tem que ser coletivo”. “Temos que chamar a comunidade para juntar-se a nós e pensarmos o que fizemos nestes 30 anos, e temos que ter muito orgulho neste trabalho, mas, sobretudo, olhar para o que temos que fazer no futuro.”

Paulo Jesus alertou para a evolução do fenómeno das dependências, mais abrangente e transversal à sociedade e referiu exemplos como o consumo problemático de álcool associado à sinistralidade rodoviária, o aumento da violência doméstica, onde uma parte significativa dos agressores apresenta problemas aditivos, e ainda os novos desafios ligados ao jogo, videojogos e perturbações mentais.

“Hoje, a coletivização do problema é um ganho, e a coletivização das soluções também, este é, sobretudo, um momento de esperança”, frisou, acrescentando a importância de manter uma atitude resiliente perante uma realidade exigente. O coordenador recordou também a evolução do tratamento da toxicodependência ao longo das últimas décadas, destacando a mudança de paradigma que passou a encarar o dependente como um doente e realçou que “é uma conquista tremenda que deve ser valorizada”.

Entre os princípios orientadores da intervenção do CRI, Paulo Jesus destacou o pragmatismo, a centralidade no cidadão e a proximidade, aos quais se juntam agora três novos eixos: empoderar, cuidar e proteger. “Empoderar é capacitar as pessoas, dar-lhes competências, cuidar é essencial para os mais vulneráveis e proteger é garantir que, quando não conseguimos fazer mais, evitamos maiores danos”, explicou o coordenador.

Num território como o Alentejo, marcado por desafios sociais e demográficos, a resiliência assume um papel central, onde segundo o responsável, o “segredo” é “pegar na alma alentejana, não desistir e continuar a fazer, resistir e lutar, acreditando sempre”.

Apesar das dificuldades, Paulo Jesus rejeita uma visão pessimista. “Não tenho um discurso negativista, prefiro centrar-me naquilo que podemos fazer com os recursos que temos, apesar de sabermos que serão sempre escassos face à dimensão do problema, o nosso desafio é exatamente esse.”

Trinta anos depois da sua criação, o CRI do Alentejo Central reafirma, assim, o seu compromisso com uma intervenção integrada e humanizada, adaptada aos novos tempos e sustentada na colaboração entre comunidade e instituições.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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