Foi assinado na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, um protocolo de cooperação entre o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), o Centro de Respostas Integradas (CRI) do Alentejo Central e a Universidade de Évora, numa cerimónia que decorreu no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), em Évora.
A assinatura decorreu durante o VI Encontro do CRI do Alentejo Central e as comemorações dos 30 anos da instituição, reforçando uma parceria estratégica que visa aprofundar a intervenção na área dos comportamentos aditivos e dependências.
Segundo Paulo Jesus, coordenador do CRI do Alentejo Central, o novo protocolo surge da necessidade de atualizar e ampliar uma colaboração já existente com a academia. “Este protocolo vem reatualizar um conjunto de dinâmicas de cooperação que já temos com a universidade há alguns anos, que foram crescendo e ultrapassaram o protocolo que nós temos rubricado, portanto, havia a necessidade de fazer esta atualização, alargar o âmbito do protocolo e incluir estes novos desafios”, afirmou.
O responsável destacou ainda a importância da ligação à universidade num contexto marcado pela constante evolução dos comportamentos aditivos e afirmou que “os comportamentos aditivos têm uma capacidade de mudança significativa”, acrescentando que “atuar neste setor é como tentar acertar num alvo em permanente movimento”.
Neste âmbito, a Universidade de Évora terá um papel determinante na produção e validação científica, bem como na intervenção junto de estudantes, investigadores e trabalhadores. Uma das áreas prioritárias será o reforço do observatório regional criado em 2016, único no país, que monitoriza o fenómeno das dependências no Alentejo. “O que estamos a fazer é criar mecanismos próprios de monitorização porque recebemos dados nacionais que apontam o Alentejo como uma região altamente problemática, e aqui a universidade, com todo o know-how que aloca, vai supervisionar e validar este processo”, explicou.
O protocolo prevê também ações direcionadas ao contexto académico, reconhecido como um potencial espaço de risco, sobretudo para estudantes deslocados. Paulo Jesus salientou o trabalho contínuo desenvolvido ao longo dos últimos 15 anos em eventos como a Queima das Fitas e a Receção ao Caloiro, em articulação com a associação de estudantes, e destacou que “há uma ideia de que as associações académicas promovem comportamentos de risco, mas não é verdade, porque eles têm sido muito conscientes e trabalhado connosco de forma responsável”.
Entre as medidas previstas, destaca-se a intervenção na redução de riscos e minimização de danos em contextos de diversão académica, com equipas no terreno a sensibilizar os jovens para comportamentos seguros.
Numa cidade como Évora, com cerca de 53 mil habitantes, que acolhe aproximadamente 10 mil estudantes e 1.500 trabalhadores ligados à universidade, o responsável considera que esta parceria permitirá uma resposta mais abrangente e eficaz. “É uma massa significativa de pessoas que podemos cobrir com as nossas respostas e, acima de tudo, é um sinal que passamos à comunidade de que a academia e as estruturas de saúde estão unidas em prol do bem-estar comum”, concluiu.
Com a formalização deste protocolo, as entidades reforçam o compromisso de atuar de forma integrada e sustentada perante os desafios crescentes dos comportamentos aditivos, apostando na prevenção, investigação e intervenção no terreno. A articulação entre conhecimento científico e resposta prática surge, assim, como um eixo central desta parceria, que pretende não só acompanhar a evolução destas problemáticas, mas também antecipar tendências e promover uma cultura de saúde e bem-estar junto da comunidade, em particular no contexto académico e regional do Alentejo.




