Foi assinado um protocolo entre o ICAD – Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, o Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central e a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, na manhã desta quinta-feira, 16 de abril, no auditório da CCDR Alentejo, em Évora, no âmbito do VI Encontro do CRI do Alentejo Central que integra as comemorações dos 30 anos da instituição. O protocolo formaliza a cedência de uma unidade móvel ao CRI, reforçando a capacidade de intervenção no terreno e permitindo chegar a mais populações e localidades da região.
A nova viatura constitui um recurso adicional para uma intervenção mais próxima e descentralizada, especialmente relevante num território marcado pela dispersão geográfica e baixa densidade populacional.
Segundo Paulo Jesus, coordenador do CRI do Alentejo Central, esta assinatura representa “uma conquista que já tem muitos anos” para a instituição e afirmou que “o Alentejo é um território extenso, demograficamente deprimido, onde muitas das vezes as problemáticas não têm a visibilidade que deveriam ter”, acrescentando que “sempre nos debatemos com esta questão, pegando numa das premissas fundacionais, que é a proximidade e a centralidade do cidadão”.
O responsável destacou que o CRI tem procurado, ao longo dos anos, criar respostas descentralizadas, como consultas em Vendas Novas, entretanto encerradas por falta de recursos, na zona dos Mármores e uma consulta específica para adolescentes no IPDJ, ainda assim, sublinha que faltava “a agilidade que uma unidade móvel permite”.
“Aquilo que tentamos sempre foi criar mecanismos que nos levem aos doentes e que facilmente tragam os doentes às nossas respostas”, explicou, acrescentando que esta nova valência permitirá alcançar contextos e populações que atualmente ficam fora do alcance dos serviços.
Entre os grupos identificados estão pessoas em situação de sem-abrigo, migrantes e idosos isolados em zonas rurais, muitos deles com problemas associados a comportamentos aditivos, incluindo dependências sem substância e revelou que “os ecrãs estão muitas vezes a mitigar aquela que é a grande dor do Alentejo, que é a solidão”.
Paulo Jesus considera que a unidade móvel será determinante para ultrapassar barreiras geográficas e sociais e revelou que “vai permitir chegar a territórios de difícil acesso e dar resposta a problemáticas muitas vezes invisíveis”.
O coordenador frisou ainda que o novo recurso representa também um desafio organizacional. “Não é um recurso que se esgota, é um recurso que nos desafia, porque vamos ter que criar dinâmicas e mecanismos para o potenciar”, disse, defendendo que a interioridade e a ruralidade devem ser encaradas como fatores de desenvolvimento e não de risco.
A unidade foi já entregue ao CRI e deverá entrar em funcionamento de imediato, ainda que esteja em curso um processo de adaptação. “Estamos a trabalhar a sua identificação e o apetrechamento interno, a componente clínica vai manter-se, mas vamos adaptá-la a todas as áreas de intervenção nos comportamentos aditivos”, explicou.
Apesar disso, a viatura será desde já utilizada em várias iniciativas previstas no calendário do CRI, incluindo intervenções em contextos festivos entre maio e novembro e ações regulares junto da população em situação de sem-abrigo.
Por sua vez, Carlos Mateus Gomes, presidente do Conselho de Administração da ULS do Alentejo Central, sublinhou o caráter abrangente do protocolo. “Tudo o que diz respeito à prestação de cuidados será assegurado com o apoio dos nossos profissionais, não disponibilizamos apenas o equipamento, mas também toda a estrutura necessária para cumprir o objeto da ULS”, declarou.
O responsável destacou que esta parceria reforça a articulação entre as entidades e amplia a capacidade de resposta integrada no território, garantindo maior proximidade e eficácia na prestação de cuidados à população do Alentejo Central.
Com a entrada em funcionamento desta unidade móvel, as entidades envolvidas esperam dar um passo decisivo na aproximação dos cuidados às populações mais isoladas, reforçando uma resposta integrada, flexível e adaptada às realidades do território. A iniciativa surge assim como um marco na estratégia de intervenção no Alentejo Central, assente na proximidade, na prevenção e na capacidade de chegar onde os serviços tradicionais nem sempre conseguem.
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