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De Lisboa a Lyon com passagem pelo Alentejo: a aventura de 2.000 Kms numa bicicleta…invulgar

Christian Santos, é um luso-descendente, nascido em França, apaixonado pelo ciclismo, que iniciou esta sexta-feira, 31 de julho, um exigente desafio que o levará a percorrer quase 2000 quilómetros entre Lisboa e a região de Lyon, em França, numa bicicleta reclinada com assistência elétrica. A primeira etapa terminou em Borba, onde em declarações à Rádio Campanário, fez um balanço do arranque da viagem e explicou que esta aventura representa muito mais do que um desafio desportivo: é a concretização de um sonho que o acompanha desde criança.

Batizado pelo próprio como “Challenge Lisbonne à Lyon”, o percurso liga Lisboa à aldeia de Saint-Véran, onde Christian Santos cresceu, atravessando Portugal, Espanha e França. Pelo caminho, passará por localidades como Cáceres, El Barco de Ávila, Burgo de Osma, Pamplona, Lourdes, Figeac e Montbrison, antes de chegar à região de Lyon.

Para enfrentar a longa travessia, escolheu uma bicicleta reclinada com assistência elétrica, um modelo pouco comum, mas que considera ideal para percorrer grandes distâncias e explicou que “toda a ideia vem de um desafio que o propósito é levar uma bicicleta deitada, que é um pouco particular, com assistência elétrica, desde Lisboa até à aldeia onde cresceu em França”.

O projeto começou, na verdade, há um ano. A ideia inicial passava por realizar um percurso de inspiração religiosa, passando por Fátima e Santiago de Compostela, mas a aventura acabou por ser interrompida em Pamplona devido a uma avaria na bicicleta. “Esse foi o caminho do ano passado, só que a bicicleta partiu em Pamplona e tive de interromper a viagem”, recordou.

Longe de desistir, decidiu retomar agora o desafio, redefinindo o percurso para continuar a partir do ponto onde tudo terminou. O objetivo mantém-se inalterado, como destacou, “sair de Lisboa diretamente até Pamplona, depois seguir para Lourdes, Lyon, passar pela Basílica de Fourvière e terminar em Saint-Véran.”

A ligação ao ciclismo acompanha-o desde cedo. Natural de Lyon e filho de emigrantes portugueses, cresceu a seguir o Tour de France, uma paixão que se mantém até hoje e que partilha com um grupo de amigos da região de Lisboa. Conta que as saídas de fim de semana e as viagens de vários dias fazem parte da rotina, lembrando desafios recentes como Chaves-Faro e Porto-Santiago de Compostela em “Mountain Bike”.

Mas a verdadeira origem desta aventura remonta à infância. Christian Santos recorda que ouviu a história de um homem que percorreu a distância entre Lyon e Fátima de bicicleta para cumprir uma promessa. Essa história nunca lhe saiu da memória e o mesmo revelou que “um dia pensei que também queria viver uma aventura semelhante, mas tinha de ser diferente e em vez de partir de Lyon, partiria de Lisboa.”

O desafio exigiu uma preparação longa e rigorosa. Segundo explicou, nada foi deixado ao acaso. A preparação física, a alimentação, o descanso, a gestão da hidratação, a revisão da bicicleta e o estudo detalhado de cada etapa foram trabalhados ao longo de vários meses. “Tudo tem de ser planeado ao detalhe para chegar ao destino em segurança”, sublinhou.

Mais do que testar os seus limites físicos, Christian Santos pretende deixar uma mensagem de perseverança e diz querer mostrar à família, aos amigos e a todos aqueles que acompanham a aventura que os sonhos podem ser concretizados e afirmou que “quando temos um sonho, não há limites”, acrescentando que “há sempre quem diga que é impossível ou demasiado perigoso, mas quero provar que, quando acreditamos verdadeiramente, podemos concretizar aquilo a que nos propomos.”

O percurso foi dividido em etapas inferiores a 300 quilómetros diários, um limite definido tanto pelas capacidades físicas do ciclista como pela autonomia da bicicleta elétrica. Além disso, admite que atravessar Espanha em pleno verão será um dos maiores desafios. “Vou apanhar temperaturas que poderão rondar os 40 graus, por isso é essencial preservar a saúde”, afirmou.

Depois da chegada a Borba, onde foi acompanhado pelo amigo Marco, seguem-se jornadas até Cáceres, Segóvia, Pamplona, Lourdes, Figeac e Montbrison. Uma das etapas mais duras será a penúltima, no Maciço Central francês, com cerca de 300 quilómetros e quase 3.800 metros de desnível acumulado.

Antes de regressar à aldeia onde cresceu, Christian Santos fará ainda uma passagem simbólica pela Basílica de Fourvière, em Lyon, um momento carregado de significado pessoal. Explicou que aquele santuário era um local muito especial para a sua avó e, por isso, fazia todo o sentido incluir essa paragem antes de concluir a viagem e reiterou que “a última etapa até Lyon tem um significado muito especial.”

Residente em Portugal há mais de uma década, depois de ter chegado ao país para instalar a fábrica aeronáutica Mecachrome em Évora, Christian Santos mantém uma forte ligação ao Alentejo e continua ligado ao desenvolvimento empresarial.

Aos 53 anos, rejeita a ideia de que a idade seja um obstáculo para desafios desta dimensão. “Vejo pessoas com 85 ou 90 anos a completar provas de Ironman, comparado com elas, ainda sou um bebé”, afirmou.

Com um percurso desportivo marcado pelo atletismo, natação, triatlo e outras modalidades como o ciclismo, o motocross ou o paraquedismo, Christian Santos parte agora para aquela que considera ser a viagem mais marcante da sua vida: um regresso às origens, movido pela determinação de provar que, quando existe vontade, a distância é apenas mais um desafio a superar.

Conheça aqui o percurso:

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