O Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR) para a sub-região do Alentejo Central foi apresentado esta terça-feira, 12 de maio, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Estremoz, reunindo autarcas, forças de segurança, bombeiros e entidades de proteção civil.
Em declarações aos jornalistas, o Segundo Comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Central, Fábio Pontes, explicou que o dispositivo integra “todas as entidades que fazem parte da Proteção Civil”, incluindo corpos de bombeiros, Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, GNR, UEPS, PSP e ICNF.
Na fase Delta, considerada a fase mais critica, que acontece entre 1 de julho e 30 de setembro, o Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais do Alentejo Central poderá mobilizar até 393 operacionais e 99 veículos, estando ainda disponíveis 24 equipas operacionais, 96 operacionais e 28 veículos diretamente integrados no DECIR. “Todos os corpos de bombeiros têm equipas a participar no dispositivo”, afirmou.
Fábio Pontes destacou ainda a existência de 30 Equipas de Intervenção Permanente, compostas por cinco elementos cada, distribuídas pelos 14 municípios do Alentejo Central. Estas equipas profissionais asseguram resposta operacional sobretudo entre as 06h00 e as 22h00.
O dispositivo contará também com equipas da UEPS, meios da GNR e PSP e um helicóptero ligeiro de combate a incêndios, operacional entre 15 de maio e 30 de setembro.
Apesar de reconhecer a Serra d’Ossa como uma área de maior preocupação devido à sua dimensão florestal, Fábio Pontes sublinhou que o histórico da região está mais associado a incêndios agrícolas e em mato. “A maior parte das ocorrências acontece no início do verão, muitas vezes associadas a trabalhos agrícolas ou à existência de pasto por cortar”, referiu.
O responsável deixou ainda um apelo à prevenção, lembrando que “a limpeza dos terrenos é o mais importante” nesta fase do ano, acrescentando que “terrenos limpos e caminhos acessíveis são meio caminho andado para haver menos incêndios e para os operacionais trabalharem com mais segurança”.
Também presente na sessão, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Daniel Sádio, destacou a importância da cooperação institucional no combate aos incêndios rurais e afirmou que “o Município de Estremoz tem estado sempre ao lado dos agentes que asseguram a segurança de pessoas e bens no território”, considerando que a escolha de Estremoz para acolher a apresentação do DECIR “é sinal do bom relacionamento entre o município e a Proteção Civil Distrital”.
José Daniel Sádio reforçou que o trabalho em rede entre municípios, bombeiros, forças de segurança e proteção civil é essencial para enfrentar a época de incêndios. “Todos os anos haverá ignições e problemas no terreno, por isso esta articulação institucional é fundamental para o sucesso do plano”, disse.
O autarca recordou ainda incêndios recentes em concelhos vizinhos, como o Alandroal, sublinhando a necessidade de preparação e resposta rápida e destacou que “a Serra d’Ossa continua a ser um ponto crítico no distrito e tudo está a ser feito para salvaguardar este tesouro natural”.
Já o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora, Paulo Alves, admitiu que o verão poderá ser “crítico e difícil”, apesar de o dispositivo apresentado ser semelhante ao do ano anterior. “Esperemos que os meios sejam suficientes”, afirmou, lembrando que o distrito contará com cerca de 250 bombeiros e 60 veículos na fase mais crítica.
Paulo Alves destacou também o trabalho preventivo junto da população, apelando à limpeza dos terrenos e ao cumprimento das regras relativas às queimas. “Depois de começar a fase crítica, as pessoas devem evitar fazer queimas para não originarem ocorrências graves”, alertou.
O dirigente revelou ainda que as 14 associações de bombeiros do distrito criaram um grupo de trabalho para identificar necessidades e pontos críticos, nomeadamente na Serra d’Ossa, Serra de Monfurado e Serra de Portel.
Apesar disso, deixou críticas à falta de incentivos financeiros para os bombeiros e afirmou que “o dispositivo começa coxo porque continua a faltar a diretiva financeira”. “Estamos a falar de 3,50 euros por hora, ou seja 84 euros em 24 horas, para um bombeiro”, lamentou, defendendo uma remuneração mais justa para os operacionais.
Ainda assim, Paulo Alves garantiu que os bombeiros continuam motivados e que “fazem isto por gosto, pela farda que vestem e pelo espírito de missão”.
Com o início da fase mais exigente cada vez mais próximo, os vários intervenientes deixaram claro que a preparação, a coordenação entre entidades e a prevenção continuam a ser as principais armas no combate aos incêndios rurais. Apesar dos desafios apontados, nomeadamente ao nível do financiamento e das condições dos operacionais, a mensagem transmitida foi de confiança e compromisso, numa altura em que o Alentejo Central se prepara para enfrentar mais uma época de elevado risco de incêndio.
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:




































