O Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central, em parceria com o Município de Estremoz, promoveu nesta sexta-feira, 13 de março, o seminário “Tu não mandas em mim: As Redes +/- Sociais”, realizado no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz. A iniciativa reuniu especialistas e membros da comunidade para debater os riscos associados ao uso problemático das redes sociais e outros comportamentos aditivos, numa sessão que contou com mais de duas centenas de participantes.
O encontro assinalou também a implementação do Plano Municipal de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências (CAD), reforçando a importância da prevenção e da sensibilização junto da comunidade. Dirigido a alunos, pais, educadores e técnicos, o seminário procurou promover uma reflexão alargada sobre o impacto das tecnologias e das redes sociais na saúde mental e no quotidiano das famílias.
A vice-presidente da autarquia, Sónia Caldeira, sublinhou que a iniciativa pretende alertar para uma problemática que tem vindo a ganhar dimensão, e afirmou que “é um seminário aberto à comunidade e destinado a alunos, pais e educadores, que serve para alertar para as dependências das redes sociais nas crianças e jovens”, acrescentando que “ este é um problema que não é só de jovens, já se vem alargando a outras faixas etárias e que está associado a problemas na área da saúde mental”.
Segundo a responsável, o objetivo do encontro foi promover uma reflexão coletiva sobre o fenómeno e sobre as formas de o enfrentar. “Esta temática está inserida no quarto ano da implementação do nosso plano municipal de prevenção de comportamentos aditivos e dependências, onde no Alentejo somos pioneiros”, destacou. Sónia Caldeira acrescentou ainda que o seminário se enquadra em vários eixos do plano municipal, nomeadamente família, comunidade e escola, respondendo a um conjunto de objetivos definidos para o concelho.
A elevada adesão ao evento demonstra, segundo a autarca, o interesse da comunidade, e revelou que “houve mais de 200 inscrições e tivemos que encerrar porque já não havia capacidade para comportar mais pessoas”. A responsável revelou ainda dados preocupantes relativos aos hábitos dos jovens do concelho. De acordo com informação do ano letivo 2024/2025, na Escola Secundária de Estremoz mais de 50% dos alunos já assumiram ter consumido álcool, e revelou que “apesar de outras dependências, como o tabaco, drogas ilícitas ou jogos de computador, as percentagens são bastante mais baixas em relação ao consumo de álcool”.
Também presente no seminário, a vogal do conselho diretivo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, Sofia Albuquerque, destacou a importância de abordar as dependências sem substância, associadas ao uso excessivo de ecrãs e redes sociais. “Hoje vamos falar de uma problemática que é o uso problemático do ecrã relacionado com as redes sociais, que recai mais para a vertente dos comportamentos aditivos sem substância”, explicou.
Para a responsável, iniciativas como esta ajudam a reforçar a sensibilização das comunidades e a descentralizar o debate, e destacou que “no Alentejo têm feito um trabalho muito bom e esta iniciativa vem dar mais visibilidade ao trabalho que já é feito pelo ICAD e pelo CRI”.
Sofia Albuquerque alertou ainda que este fenómeno atravessa diferentes faixas etárias e contextos sociais. “É um problema que entra em qualquer família, independentemente do extrato social ou económico”, disse, sublinhando a importância do trabalho com escolas e famílias para reforçar a chamada resiliência digital entre os mais jovens.
“O Covid teve um impacto dramático e acelerou muito todas estas questões do online e do isolamento social”, afirmou, acrescentando que entre os jovens começaram a surgir casos mais graves de dependência de videojogos e até de jogo a dinheiro.
Já Paulo Jesus, coordenador do Centro de Respostas Integradas do Alentejo Central, salientou que as dependências sem substância passaram a ser uma prioridade na intervenção das entidades de saúde pública. “Fomos confrontados com este desafio das dependências sem substância, que seguem a mesma linha das dependências com substância, por isso é que passaram a prioridade”, explicou.
O responsável alertou para o contexto particular da região, e destacou que “o Alentejo é a região mais deprimida do país do ponto de vista demográfico e apresenta alguns dos piores indicadores, numa região com tão poucos jovens, estes números são um fator de risco”, disse. Paulo Jesus destacou ainda que “o grande problema do Alentejo é o álcool, onde o Alentejo tem os piores indicadores de consumo a nível nacional, seja na experimentação, na embriaguez severa ou no acesso”.
Relativamente às tecnologias, o coordenador explicou que quase todos os jovens da região têm acesso a dispositivos digitais, mas muitas vezes com baixa perceção de risco e pouca monitorização parental. Ainda assim, sublinhou que o objetivo não passa por eliminar a tecnologia do quotidiano. “As tecnologias vieram para ficar. O desafio é viver com elas e integrá-las de forma saudável”, concluiu.
O seminário reforçou assim a necessidade de uma resposta coletiva para enfrentar os comportamentos aditivos, envolvendo escolas, famílias, profissionais e toda a comunidade na promoção de hábitos mais equilibrados no uso das tecnologias e na prevenção das dependências.
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:















































