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DGArtes: Sem apoio quadrienal renovado Cendrev promete nova candidatura em 2026

Évora, 21 nov 2025 (Lusa) – O diretor artístico do Centro Dramático de Évora (Cendrev) disse hoje ter recebido com surpresa a não renovação do apoio quadrienal da Direção-Geral das Artes (DGArtes) à companhia, mas prometeu nova candidatura ao concurso de 2026.

“Para nós, foi uma surpresa esta situação, porque não estávamos à espera de que o nosso projeto não fosse renovado”, argumentou hoje à agência Lusa José Russo, diretor artístico da companhia profissional de teatro sediada em Évora.

O apoio a quatro anos (no ciclo 2023-2025) “foi qualquer coisa pela qual andámos a lutar há muito tempo”, afiançou, garantindo que dá estabilidade a projetos como o Cendrev, que cumpriu este ano o seu 50.º aniversário e, “para o bem e para o mal, é um projeto que se se foi mantendo ao longo das décadas, depois da liberdade”.

O Cendrev, criado a 11 de janeiro de 1975, na altura com a designação de Centro Cultural de Évora, é um projeto desenvolvido em torno da criação e difusão artística, da formação teatral e da gestão do Teatro Garcia de Resende.

Para José Russo, a companhia “é um exemplo, porque tem feito anualmente um trabalho regular com as escolas, com os autores portugueses, com a programação do teatro agora mais recentemente, que deu um pulo de facto muito importante com a questão da Rede de Teatros e Cineteatros, com um financiamento específico para essa área”.

“Houve uma mudança positiva no sentido de termos melhores condições para poder funcionar”, congratulou-se, contrapondo que a não renovação do apoio quadrienal da DGArtes é “ao arrepio daquilo que acabou de acontecer”, motivada “por questões mais de caráter administrativo”.

“Quer dizer, sabemos que temos que cumprir com os regulamentos e com as diretrizes que são dadas relativamente à forma como temos de proceder e procuramos fazer isso sempre o melhor possível. Admitimos que, pontualmente, numa ou noutra situação, não o tenhamos feito bem”, admitiu o diretor artístico.

Na quarta-feira, a DGArtes anunciou que a grande maioria das entidades artísticas apoiadas no ciclo 2023-2026 do Programa de Apoio Sustentado terá o apoio renovado por mais quatro anos.

Das 135 entidades que receberam apoio nesse ciclo, 125 voltarão a recebê-lo em 2027-2030, segundo a DGArtes, em comunicado então divulgado.

O Cendrev consta da lista de cinco entidades nacionais que viram o seu pedido de renovação recusado, tendo José Russo revelado hoje à Lusa que a estrutura alentejana apresentou a sua contestação, mas esta “não foi considerada” pelo júri.

O diretor artístico do Cendrev lamentou o desfecho, mas disse que a estrutura sabe que tem “a hipótese de, no ano que vem”, apresentar candidatura a novo “concurso para os quatro anos de financiamento”.

“É mais um processo administrativo em que a gente se tem que envolver, num quadro de trabalho em que precisávamos de ter muito mais tranquilidade para estar a projetar o futuro que aí vem, desde logo a Capital Europeia da Cultura”, que vai decorrer em Évora em 2027, realçou José Russo.

À margem do primeiro Encontro da Rede Portuguesa Saber Fazer, que arrancou hoje em Évora, onde decorre até dia 27, o secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, disse à agência Lusa que o Governo “está a programar as bases para lançar o novo concurso quadrienal” de apoios.

Já o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, à margem do mesmo encontro em Évora, realçou que a não renovação dos apoios “não é irremediável” e as estruturas culturais “têm a hipótese de concorrer ao concurso que abre no próximo ano”.

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