A modernização da Linha do Alentejo vai implicar o abate de mais de 2.400 sobreiros nos concelhos de Palmela, Montijo e Vendas Novas, após o Governo ter declarado o projeto como sendo de imprescindível utilidade pública. A medida integra a intervenção destinada a duplicar a infraestrutura ferroviária entre Lisboa, Évora e Madrid.
Segundo o despacho publicado em Diário da República, a empreitada prevê a remoção de 971 sobreiros adultos e de 1.506 exemplares jovens, considerados necessários para a execução das obras.
Apesar do impacto ambiental na região, as medidas de compensação não serão implementadas nos concelhos afetados. O plano apresentado pela Infraestruturas de Portugal determina que a reflorestação decorra em áreas localizadas nos municípios de Vila Nova da Barquinha e Tomar, em terrenos sob gestão do Exército Português.
O projeto contempla a plantação de árvores numa área de 27,03 hectares, bem como o reforço da densidade florestal em mais 14,66 hectares. A escolha destes locais foi fundamentada pela existência de condições de solo e clima consideradas favoráveis ao desenvolvimento dos sobreiros.
A decisão tem suscitado discussão, sobretudo pelo facto de a compensação ambiental ser realizada a dezenas de quilómetros da zona onde ocorrerá o abate, levantando questões sobre a eficácia desta estratégia na mitigação dos impactos locais.
O Executivo sustenta que a intervenção representa um investimento estratégico para o país, destacando que a duplicação da Linha do Alentejo permitirá melhorar as ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha, aumentar a capacidade para o transporte de mercadorias e reforçar a competitividade da ferrovia como alternativa ao transporte rodoviário.

