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“É possível replicar Alqueva noutras dimensões e em outras regiões do país”- CAP

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) destacou a “coragem revolucionária” da estratégia Água que Une, mas pediu o envolvimento do primeiro-ministro para que esta seja efetivamente levada a cabo. 

“Eu não posso deixar de aplaudir esta estratégia, que o Governo apresentou, porque representa uma enorme coragem, eu diria que uma coragem revolucionária, se ela for levada à prática”, afirmou Álvaro Mendonça e Moura, em entrevista à Lusa, quando se assinala o 50.º aniversário da confederação.

Em 09 de março, o Governo apresentou a estratégia Água que Une, que contém perto de 300 medidas que visam a gestão eficiente dos recursos hídricos. A estratégia, que é assente nos eixos eficiência, resiliência e inteligência, tem um prazo de 15 anos e prevê acrescentar mais de 1.000 milhões de metros cúbicos (m3) de água para todos os usos no território nacional. 

A estratégia Água que Une contempla programas para a redução de perdas de água, para a reutilização de água tratada, para a inovação e digitalização do ciclo da água, para a reabilitação e restauro de rios e ribeiras, para o reforço do armazenamento, para a eficiência dos empreendimentos hidroagrícolas, para gerir o abastecimento ao polo industrial de Sines e para a resiliência hídrica do Alentejo. 

Mendonça e Moura considerou que o potencial de crescimento agrícola e florestal do país é “multiplicado largamente” se a estratégia foi levada a cabo, desde logo, porque os investimentos acabam por se pagar a si próprios. 

“O Alqueva está integralmente pago e, todos os anos, o Estado recebe, de receita fiscal relacionada com o Alqueva, 339 milhões de euros. Não é possível multiplicar ‘Alquevas’, mas é possível replicá-lo, noutras dimensões, e em vários pontos do país”, apontou. 

Assim, insistiu que, caso seja executada, a estratégia vai constituir a mais importante reforma estrutural das últimas décadas. 

O antigo embaixador indicou que, em Portugal, cerca de 16% da superfície agrícola útil é irrigada, abaixo de Espanha (23%), Estremadura (25%), Andaluzia (28%), Catalunha (33%), Múrcia (47%) e Valência (52%).

Além do regadio, esta estratégia também visa o sequeiro e, portanto, o potencial de crescimento do país depende, largamente, “da coragem” empregue para a utilização desta água. 

A CAP referiu assim ser importante explicar à população as vantagens de um território equilibrado, “o que só se consegue com água”. 

Mendonça e Moura vincou ainda que só vai ser possível levar à prática a Água que Une, se houver o envolvimento do primeiro-ministro, Luís Montenegro, apesar de ressalvar que é preciso olhar além da vigência do atual executivo. 

“A obrigação deste Governo é pôr isto em marcha e executar porque tem uma legislatura para o fazer, depois veremos”, rematou.

Para celebrar o 50.º aniversário, a CAP realiza, entre terça e quarta-feira, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, um congresso dedicado ao tema “A evolução da agricultura e da floresta portuguesas desde 1975, no contexto da mudança socioeconómica e política do país”. 

O evento vai reunir, para além dos associados e parceiros, responsáveis políticos, empresários e líderes do setor para também projetar o futuro da agricultura e das florestas nacionais.

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