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“É um cidadão do mundo”:VIVV – Viver Vila Viçosa celebra legado intemporal de Couto Jardim

Vila Viçosa assinala este domingo, 16 de agosto, o seu Feriado Municipal, numa data que coincide com o nascimento de João Augusto do Couto Jardim, médico que marcou profundamente a história da comunidade calipolense.

A memória do médico foi evocada esta manhã junto ao seu busto, na Avenida Bento de Jesus Caraça, numa cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Vila Viçosa, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Vila Viçosa e a Associação VIVV – Viver Vila Viçosa.

Para Manuel Talhinhas, da Associação VIVV – Viver Vila Viçosa, há três características que ajudam a compreender a importância de Couto Jardim e a forma como o seu legado chegou até aos dias de hoje: “a simplicidade, a ciência e a comunicação”.

O representante da VIVV considera, contudo, que a importância do médico não deve ser limitada ao período histórico em que viveu. «É um cidadão do mundo, um cidadão atual e um cidadão de sempre», afirmou aos jornalistas.

Nascido em Vila Viçosa a 16 de agosto de 1879, João Augusto do Couto Jardim formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, concluindo o curso em julho de 1903. Regressado à terra natal, dedicou o seu percurso profissional à população local.

A sua relação com os doentes distinguiu-se pela proximidade. Couto Jardim deslocava-se às casas daqueles que necessitavam de assistência e, perante famílias sem recursos, prestava cuidados sem qualquer contrapartida financeira.

A solidariedade não se ficava pela prática médica. O médico chegou também a utilizar os seus próprios recursos para ajudar pessoas em situação de pobreza, construindo uma imagem de profissional competente, mas sobretudo de homem próximo da comunidade.

É precisamente esta dimensão humana que, na perspetiva de Manuel Talhinhas, ajuda a explicar a atualidade do seu legado.

As três características apontadas pelo representante da VIVV — simplicidade, ciência e comunicação — refletem uma forma de exercer a medicina que procurava aliar o conhecimento técnico à relação direta com as pessoas.

O percurso de Couto Jardim ficou ainda marcado pela intervenção durante a gripe espanhola, uma das maiores crises sanitárias vividas no início do século XX.

Enquanto subdelegado de saúde, esteve envolvido na resposta à epidemia e desenvolveu esforços para prestar assistência à população numa altura particularmente exigente.

A sua ação nesse período reforçou a imagem de um médico profundamente ligado à comunidade e disposto a enfrentar situações de grande dificuldade para garantir apoio aos seus concidadãos.

É essa combinação entre conhecimento, proximidade e dedicação que continua a justificar a homenagem a Couto Jardim mais de 60 anos após a sua morte.

Para Manuel Talhinhas, a sua figura mantém uma dimensão que ultrapassa fronteiras temporais e geográficas. Ao defini-lo como «um cidadão do mundo, um cidadão atual e um cidadão de sempre», o representante da VIVV sublinha a capacidade do seu exemplo permanecer relevante para as novas gerações.

Neste Feriado Municipal, Vila Viçosa volta, assim, a recordar não apenas um médico, mas uma personalidade cuja forma de estar perante a comunidade deixou uma marca que continua presente na memória coletiva da vila.

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