Um concerto que “reinventa a cultura popular ibérica a partir das tradições da raia”, do artista espanhol Niño de Elche, está marcado para sábado, em Évora, no âmbito da Capital Europeia da Cultura Évora_27, foi hoje anunciado.
Em comunicado, a Associação Évora 2027, promotora da Capital Europeia da Cultura (CEC), indicou que o concerto, denominado “El Cante Rasgueado”, sobe ao palco no Largo Marquês de Marialva, em frente à Sé de Évora, a partir das 21:00.
Segundo a CEC, o espetáculo é assinado por Niño de Elche, figura ímpar da cena musical e performativa espanhola, de identidade “ex-flamenca”, e Pedro G. Romero, artista visual e investigador, Prémio Nacional de Artes Plásticas de Espanha em 2024.
Juntando músicos populares da raia ibérica, entre o cante alentejano, fandango, viola campaniça e outras sonoridades, o concerto celebra “a mestiçagem” e propõe “um diálogo entre herança, experimentação e criação contemporânea”.
“Num tempo em que a cultura popular ainda carrega os traços da sua instrumentalização pelas ditaduras ibéricas, este projeto recupera a sua vocação original: mestiça, fluida, permeável ao outro”, realçou.
Évora_27 salientou que, ao longo da pesquisa e criação, os autores procuraram “ativar práticas de colaboração que desafiam as formas cristalizadas da tradição, expondo a sua fricção com o presente, e que os transportou do fandango ao tango português ou da viola campaniça à liturgia sefardita”.
“Mais do que recolha ou reinterpretação, este projeto colaborativo propõe um gesto artístico e político: devolver à cultura popular o seu potencial de mestiçagem, de conflito e de reinvenção”, frisou.
Na raia a sul, lembrou, escuta-se “o cante alentejano com as suas violas campaniças, o fandango cané de alosno entoado por grupos de homens sobre o rasgueado [dedilhar] incessante das guitarras ou ainda os tangos e jaleos luso-extremenhos transmitidos por comunidades ciganas”.
“É neste território permeável que Niño de Elche e Pedro G. Romero desenvolvem o concerto performativo, a partir de um processo de investigação no terreno, junto de músicos e historiadores locais”, acrescentou.
O espetáculo conta com o apoio da Embaixada de Espanha em Portugal e da Ação Cultural Espanhola (AC/E).

