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“Estraga toda a navegabilidade do Alqueva”: Mourão assume oposição à central fotovoltaica flutuante

O Município de Mourão tornou pública a sua posição desfavorável ao projeto da central fotovoltaica flutuante prevista para a albufeira do Alqueva. A posição foi reiterada pelo presidente da Câmara, João Fortes, à margem da inauguração dos Espaços do Cidadão nas localidades da Granja e da Luz.

Segundo o autarca, esta foi a primeira vez que o município se pronunciou publicamente de forma individual sobre o tema, decisão que surge num momento considerado oportuno devido às recentes mudanças na liderança da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo).

“Fico feliz porque o município ainda não tinha prestado uma declaração pública sobre a matéria e assim que o fizemos percebemos pela reação das pessoas que é uma posição que converge com o seu próprio sentimento”, afirmou João Fortes.

O presidente da autarquia explicou que a decisão de tornar pública a posição surge também como forma de marcar posição junto dos novos responsáveis da CCDR Alentejo. “O Município de Mourão ainda não tinha tido oportunidade de se manifestar individualmente e decidimos tornar agora pública a posição do município porque assumem funções novos órgãos da CCDR Alentejo, uma vice-presidente setorial, e era importante que o município começasse logo junto destes dirigentes a mostrar passo e a dizer que estamos completamente contra e que esperamos que os serviços afetos ao ambiente da CCDR sejam sensíveis àquilo que é a posição dos municípios”, declarou.

Para o edil, os municípios devem ter uma palavra determinante em matérias relacionadas com o ordenamento do território. “Eu acho que devemos ser soberanos no que diz respeito às matérias de ordenamento do território e quiçá este seja um daqueles projetos que não vá para a frente”, acrescentou. João Fortes sublinhou ainda que, apesar de a instalação dos painéis não afetar diretamente o território do concelho, o impacto na utilização da albufeira do Alqueva seria significativo, porque “estraga toda a navegabilidade e todo o usufruto do Alqueva”.

“Felizmente estamos agora a perspetivar a criação do programa especial da albufeira de Alqueva, que espero que traga alguma flexibilidade a nível de novos meios de navegação no lago”, disse o autarca, lembrando que “em 2019 o secretário de Estado à data João Galamba decidiu que estes espelhos de água deviam ser centros eletroprodutores e os municípios não foram ouvidos e ficaram à margem do processo”.

De acordo com o presidente da Câmara, a posição atual pretende também corrigir aquilo que considera “erros do passado”, porque segundo o autarca, “não foi acautelado aquilo que é a lógica estratégica destes municípios para o seu desenvolvimento que passa pelo turismo”. João Fortes reiterou ainda que “é totalmente favorável à transição energética e a modelos que tenham menos emissões carbónicas”, mas acrescenta que “há soluções que impactam a nível paisagístico menos o território”.

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