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Estremoz transforma-se na capital do Património Cultural Imaterial Nacional durante três dias. Certame já foi inaugurado (c/fotos)

A segunda edição do Mercado do Património Cultural Imaterial foi inaugurada na tarde desta sexta-feira, no Jardim Municipal de Estremoz, onde decorre até domingo, reunindo 64 mestres artesãos de todo o país, incluindo representantes dos Açores e da Madeira.

Promovida pela Confraria do Boneco de Estremoz, com o apoio do Município de Estremoz e de várias entidades parceiras, a iniciativa volta a afirmar-se como um espaço de valorização dos saberes tradicionais portugueses, através de uma mostra de artesanato ao vivo, conferências temáticas e um programa cultural que celebra a diversidade do património imaterial nacional.

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Sádio, destacou o crescimento do evento relativamente à edição inaugural e revelou que “há um crescimento, não só em número de mestres, como também nos dias”, acrescentando que “isso é sinal de que é um evento diferenciador, com muita qualidade e com margem para crescer e avançar para mais edições”.

O autarca sublinhou ainda a dimensão nacional da iniciativa, considerando que o jardim municipal acolhe, durante estes três dias, “a excelência do artesanato português, de norte a sul e ilhas”, num verdadeiro “hino à cultura e às tradições”.

José Sádio salientou igualmente a importância do evento para a preservação dos saberes tradicionais e para a sustentabilidade dos artesãos. “Ao colocarmos Estremoz no centro do património cultural imaterial estamos também a dar um contributo para que cada um deles, na sua arte e na sua terra, consiga criar condições para se sustentar e para que nenhuma destas artes se perca no futuro”, referiu.

O presidente da autarquia destacou ainda que “está aqui todo o país representado”, frisando que “com 64 mestres de artes tão distintas e oriundos de pontos tão longínquos do território continental e das ilhas, Estremoz é, neste fim de semana, a capital do património cultural imaterial do nosso país”.

Também o Grão-Mestre da Confraria do Boneco de Estremoz, Alexandre Correia, destacou o crescimento da iniciativa e o impacto alcançado pela primeira edição e destacou que “houve um crescimento notório e bastante considerável com mais mestres, mais saber-fazer representado e também representantes dos Açores e da Madeira”, acrescentando que “o ano passado o mercado decorreu apenas durante o fim de semana e este ano inaugurámos na sexta-feira”.

Segundo Alexandre Correia, o balanço da primeira edição foi “extremamente positivo”, tendo inclusivamente contribuído para que a Confraria fosse finalista dos Prémios Nacionais de Artesanato na categoria de entidades privadas.

Ao longo dos três dias, os visitantes podem assistir ao trabalho dos artesãos em direto e contactar com histórias e tradições transmitidas ao longo de gerações. “Esta é uma oportunidade única para, num único espaço e num único fim de semana, ter contacto com os Açores, a Madeira, o Minho ou o Algarve”, revelou, salientando que “aqui estão as histórias, as famílias e as vidas destes mestres, muitos deles herdeiros de saberes centenários”.

Paralelamente à componente artesanal, o programa inclui atuações musicais representativas de várias regiões do país, com grupos como os Pauliteiros de Miranda e as Pedrinhas de Arronches. As conferências arrancam na tarde de sábado, a partir das 15 horas, abordando temas relacionados com os Bonecos de Estremoz, o associativismo no artesanato, a louça preta de Molelos e as Festas do Povo de Campo Maior.

A organização espera receber centenas de visitantes ao longo do fim de semana, incluindo excursões provenientes de Lisboa, num evento que pretende consolidar-se como uma referência nacional na valorização do património cultural imaterial.

“O Boneco de Estremoz é o grande anfitrião deste mercado, é o ex-líbris da cidade e o único figurado em barro classificado pela UNESCO em todo o mundo, mas optámos por abrir portas, crescer com os outros e trazer a Estremoz, ao Alentejo e a Portugal um evento único no país”, concluiu Alexandre Correia.

A segunda edição do Mercado do Património Cultural Imaterial reforça, assim, a aposta de Estremoz na promoção e salvaguarda das tradições portuguesas, reunindo mestres artesãos, associações e expressões culturais de todo o território nacional. Durante três dias, o Jardim Municipal transforma-se num ponto de encontro entre gerações, saberes e comunidades, afirmando o papel do património imaterial como elemento fundamental da identidade cultural e do desenvolvimento sustentável das regiões.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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