A Câmara Municipal de Évora apresentou publicamente a proposta da 4.ª Revisão do Plano de Urbanização de Évora (PUE), um documento estratégico que define a visão de desenvolvimento da cidade para as próximas décadas e que prevê a construção de mais de 7.000 novos fogos, a expansão de áreas económicas e a criação de um cluster da saúde junto ao futuro Hospital Central do Alentejo.
A apresentação decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, perante uma sala repleta de cidadãos, técnicos e representantes políticos, assinalando o início de uma nova fase de participação pública no processo de revisão do plano, que abrange não apenas a cidade, mas também a sua envolvente rural.
O documento resulta de vários anos de trabalho técnico e político desenvolvido por uma equipa multidisciplinar coordenada pelo professor Jorge Carvalho, envolvendo técnicos municipais e especialistas de diversas instituições, incluindo as universidades de Évora e de Aveiro.
Segundo o município, esta é a primeira versão política do documento técnico base, integrando contributos das diferentes forças políticas representadas no executivo municipal, sugestões recolhidas durante a primeira fase de consulta pública e adaptações decorrentes da revisão do Plano Diretor Municipal de Évora, aprovada em 2025.
A habitação surge como uma das principais prioridades da revisão do plano. A proposta flexibiliza as regras urbanísticas aplicáveis aos espaços residenciais, promovendo soluções diversificadas, desde moradias unifamiliares a edifícios multifamiliares, com diferentes tipologias habitacionais.
Os dados apresentados apontam para a possibilidade de construção de mais de 7.000 fogos, permitindo acolher cerca de 15.000 novos residentes. O município considera que a escassez de habitação constitui atualmente um dos principais entraves ao crescimento económico e demográfico do concelho.
A revisão do PUE prevê igualmente o reforço da capacidade de acolhimento de atividades económicas, através da disponibilização de cerca de 90 hectares de solo urbano destinados a este fim.
Entre as medidas previstas estão a expansão do Parque de Indústria e Tecnologia de Évora (PITE) e do Parque Industrial e de Atividades Económicas (PIAE), a criação de uma nova área empresarial na zona norte da cidade e o desenvolvimento de uma plataforma logística a sudoeste, junto ao ramal ferroviário.
Outra das apostas estratégicas passa pela criação de um cluster da saúde com 42 hectares, localizado nas proximidades do futuro Hospital Central do Alentejo e articulado com o polo de saúde da Universidade de Évora.
A proposta assenta também numa forte componente de valorização patrimonial e paisagística, prevendo a qualificação da área intramuros, a reabilitação dos espaços envolventes às muralhas e a proteção da paisagem histórica da cidade.
O documento contempla ainda a criação de percursos de lazer e novas oportunidades ligadas ao turismo e à fruição da envolvente rural.
Na área da mobilidade, o plano introduz um novo modelo urbano baseado na promoção do transporte público, na criação de corredores dedicados e no reforço dos modos suaves de deslocação, integrados numa estrutura ecológica urbana.
Está igualmente prevista a integração em solo urbano dos núcleos habitacionais da Barraca de Pau e do Patão, bem como a delimitação de cinco novas áreas de edificação dispersa e a ampliação de outras quatro já existentes.
A apresentação da proposta marca também o arranque de um conjunto de iniciativas de participação pública que decorrerão em simultâneo com a Feira de São João 2026.
Entre as ações previstas encontra-se uma exposição dedicada ao Plano de Urbanização de Évora, a inaugurar no recinto da feira, onde os cidadãos poderão conhecer de forma acessível os principais objetivos e propostas do documento.
O programa inclui ainda reuniões com os agrupamentos escolares do concelho para preparar novas ações participativas junto da comunidade educativa, bem como sessões abertas à população dedicadas à discussão de temas como o espaço público, a mobilidade suave e a vivência urbana.
Uma das iniciativas permitirá mesmo aos participantes percorrer alguns dos trajetos de mobilidade suave previstos na proposta, proporcionando uma avaliação prática das soluções projetadas e a recolha de contributos para o seu aperfeiçoamento.
A proposta encontra-se atualmente em apreciação pelas entidades da Administração Pública, através do parecer obrigatório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA). Após a fase de discussão pública informal e formal, o documento integrará novos contributos dos cidadãos, pareceres técnicos e sugestões das diferentes forças políticas antes da sua submissão final para aprovação.
O município espera concluir o processo durante o próximo outono, com aprovação e publicação previstas para outubro, apelando à participação ativa da população na construção daquele que considera ser um instrumento fundamental para o desenvolvimento sustentável de Évora nas próximas décadas.

