O escritor canadiano Alberto Manguel apresenta “A palavra devagar”, uma conferência sobre o tempo, a reflexão, a linguagem e os diferentes significados do silêncio.
O encontro acontece a 29 de agosto, às 18h, no Parque de Merendas do Jardim Público de Évora, integrada na programação da Academia do Vagar, iniciativa de Évora_27. Há palavras que pedem tempo. E há silêncios que dizem mais do que aquilo que pode ser dito.
É a partir desta relação entre a palavra, o silêncio e o tempo que o escritor canadiano Alberto Manguel apresenta “A palavra devagar”, no próximo dia 29 de agosto, às 18h, no Parque de Merendas do Jardim Público de Évora, uma conferência inserida na Academia do Vagar, iniciativa de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura.
Na conferência, o autor parte do significado da palavra “devagar” para os romanos, enquanto modo de vida que se opunha ao negotium, os afazeres apressados. Otium, para os romanos, não era acídia, preguiça, mas o contrário: um estado deliberadamente lento de reflexão, de pensamento contemplativo. A reflexão passa ainda pelas irmãs de Lázaro, que acolheram Jesus na sua casa, e personificam estas duas formas de viver: se o negotium é o afazeres de Marta, então o otium é o de Maria, que Jesus proclama ser o melhor dos dois. Marta expressa as suas preocupações em palavras; Maria permanece em silêncio, mas o seu silêncio não é o da ignorância ou da mansidão. O silêncio, como o de Marta, pode ser uma arma poderosa e eloquente.
A célebre declaração de Wittgenstein, “Sobre o que não podemos falar, devemos permanecer em silêncio”, pode ser interpretada de pelo menos duas maneiras: como o uso da linguagem para descrever apenas a experiência empírica, ou como a recusa em usar a linguagem em situações em que uma resposta possa parecer cúmplice, num gesto mudo que rejeita a intimidade de atos atrozes.
A literatura, que prospera no poder das palavras por mais fraco que seja, também pode explorar lentamente o mundo da ausência das palavras. A literatura revela ao leitor o silêncio da vitimização, como o de Filomela, o silêncio da resistência obstinada, como o de Bartleby, o silêncio do desprezo, como o das Sereias de Kafka. Estas são apenas algumas das reflexões que Alberto Manguel trará à Academia do Vagar, iniciativa de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura que decorre ao longo de 27 meses, até dezembro de 2027, com a curadoria de Jacinto Lageira (Universidade de Paris I – Sorbonne).
A Academia do Vagar tem como objetivo promover o pensamento crítico e a criação coletiva, colocando o conceito do Vagar no centro de uma nova proposta para a Europa e o mundo.
Além de conferências internacionais, a programação da Academia do Vagar conta com encontros, conversas e workshops, de entrada gratuita, com a participação de filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas e outros pensadores que, a partir de diferentes disciplinas, contribuirão para a construção de novas perspectivas sobre o tempo, a cultura, a existência humana e a comunhão com tudo o que nos rodeia. Todas as atividades da Academia do Vagar são de entrada gratuita.

