A cidade de Évora deu, esta sexta-feira, dia 6 de fevereiro, o pontapé de saída oficial para a contagem decrescente rumo a Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, assinalando a entrada na fase decisiva de preparação de um dos projetos culturais mais ambiciosos da história recente do concelho e da região. O momento simbólico foi marcado pela iniciativa “O Vagar é a Cena”, que decorreu na Câmara Municipal de Évora.
A sessão incluiu a apresentação pública da Petição para a criação do Dia Nacional do Vagar, uma proposta alinhada com o lema da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura, acompanhada pela recolha de assinaturas. A iniciativa pretende afirmar o “vagar” como conceito central da visão cultural e social que sustenta Évora_27, indo além da dimensão simbólica.
Presente na sessão, João Oliveira, vereador na Câmara Municipal de Évora eleito pela CDU, explicou que “esta iniciativa é mais simbólica do que propriamente material, porque é uma proposta de criação do Dia Nacional do Vagar associada ao lema da Capital Europeia da Cultura Évora 2027, e pode ser muito útil se for compreendida na aceção que a candidatura lhe deu”.
Segundo o autarca, o conceito de vagar assume várias dimensões, desde logo a de combater o estereótipo da lentidão e da preguiça frequentemente associado aos alentejanos. “Esse combate ao preconceito é um elemento cimeiro desta conceção de vagar”, referiu, acrescentando que o conceito remete também para a “necessidade de articular o tempo da vida humana com o tempo da natureza, da vida social e da vida económica, hoje muitas vezes desfasados”.
João Oliveira alertou para os ritmos acelerados da vida contemporânea, visíveis em “horários de trabalho desajustados da vida familiar ou na forma como os espaços públicos são cada vez mais locais de passagem rápida”, e afirmou que “o vagar procura contrariar esse ritmo, defendendo uma vida humana compreendida à escala total da existência, na articulação entre vida individual e coletiva, espaço público e espaço privado, vida humana e natureza”, considerando que “esta visão pode ser uma referência para a transformação material da vida social”.
O vereador recordou ainda que a candidatura vencedora de Évora a Capital Europeia da Cultura nasceu durante um anterior mandato da CDU, destacando o seu caráter diferenciador e a visão integrada de intervenção no território. “Évora ganhou este título porque apresentou uma candidatura com uma visão que tem a cultura no centro, mas que vai muito além de uma simples transformação cultural”, sublinhou.
Apesar dos avanços já alcançados, João Oliveira considerou que grande parte do trabalho ainda está por fazer, referindo que “a Capital Europeia da Cultura já foi algo na discussão e na perspetiva de transformação do concelho, mas poderá ser muito mais se for concretizada em toda a sua extensão”, deixando em aberto a avaliação futura sobre se “esta iniciativa será um verdadeiro projeto transformador ou uma oportunidade perdida”.
O eleito manifestou ainda a expectativa de que “Évora_27 traga transformações visíveis ao nível de equipamentos e infraestruturas, mas também um impacto duradouro do ponto de vista humano, social e cultural”, concluindo que “os 365 dias de Capital Europeia da Cultura, a partir de 6 de fevereiro de 2027, serão o momento mais visível dessas transformações, mas é depois desses 365 dias que devemos conseguir retirar as maiores vantagens”.
Com esta iniciativa, Évora dá início a um caminho que pretende afirmar a cultura como motor de desenvolvimento sustentável, identidade e qualidade de vida, projetando a cidade no plano nacional e internacional, sem perder de vista o tempo humano que a define.

