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Exposição “Mulheres e Ciganas, é o sonho que nos move!” em Borba mostra percursos de sucesso

A exposição de fotografia “Mulheres e Ciganas, é o sonho que nos move!”, da autoria do fotógrafo Osvaldo Grilo, foi inaugurada na tarde desta segunda-feira, 9 de março, no edifício da Câmara Municipal de Borba, onde estará patente ao público até ao próximo dia 16.

A mostra resulta de uma iniciativa organizada no âmbito do Programa Escolhas e tem como objetivo dar visibilidade a mulheres ciganas que, através do seu percurso de vida, se afirmaram e superaram desafios sociais e culturais, mantendo a sua identidade.

Na sessão de inauguração, que contou com a presença de alunos do Agrupamento de Escolas de Borba, a vereadora da autarquia, Helena Caldeira, sublinhou a importância da iniciativa para a sensibilização da comunidade e para a valorização do papel da mulher cigana, e reiterou que “foram convidadas algumas turmas do Agrupamento de Escolas de Borba e foi dada uma explicação, por quem sabe, sobre o que é o Dia Internacional da Mulher e o papel da mulher cigana, o antes e o depois”.

Segundo a autarca, a exposição reúne fotografias de mulheres ciganas de diferentes pontos do país que conseguiram afirmar-se apesar das dificuldades. “Estão patentes algumas fotografias de mulheres ciganas a nível nacional que conseguiram dar o salto com muita luta, enquanto mulheres e muitas vezes também como chefes de família, porque muitas pertencem a famílias monoparentais e criar uma criança numa família monoparental já é complicado, na etnia cigana é ainda mais e estas mulheres são o exemplo da superação e da fortaleza da mulher na sua génese”, destacou.

 “Em Borba temos uma comunidade cigana muito expressiva, com mais de 200 pessoas que vivem no concelho e trazer estas crianças aqui é promover processos de progressiva aculturação e socialização e é através das crianças, que têm muito mais plasticidade do que os adultos, que conseguimos verificar alguma mudança, por mais pequena que seja”, referiu.

A escolha do tema da mulher cigana está relacionada com o público-alvo do Programa Escolhas, e revelou que “a escolha da mulher cigana prende-se com o facto de o programa ser direcionado para beneficiários de etnia cigana”, acrescentando que “apesar de não termos nenhuma mulher cigana de Borba nas imagens, temos de concelhos limítrofes, o que pode ser um elemento diferenciador para aproximar e reforçar a afirmação da mulher enquanto tal”.

Também presente na inauguração, a coordenadora do projeto Escolhas em Borba, Silvia Careira, explicou que a iniciativa procura combater desigualdades e promover a inclusão social, e afirmou que “o foco do programa é combater a exclusão social e as desigualdades que existem nesta comunidade”, acrescentando que “o futuro só será risonho se houver também um enquadramento feminino, que é tão importante”.

 “Na sociedade maioritária já muito caminho foi percorrido e muitas pessoas sofreram para combater desigualdades, no caso da mulher cigana, ela pode ser o que quiser e não tem de deixar de ser cigana para concretizar os seus sonhos, daí o nome da exposição: ‘Mulheres e Ciganas, o sonho que nos move’”, explicou.

De acordo com Silvia Careira, o trabalho do projeto passa sobretudo pelo contexto escolar. “O nosso trabalho diário é nas escolas, trabalhamos com crianças e jovens, o nosso público direto é a comunidade cigana, mas o indireto são todos os outros alunos e o objetivo de trazer esta turma foi precisamente para que as meninas ciganas pudessem ver em primeira mão esta exposição, e ficaram muito satisfeitas com isso”, concluiu.

A exposição pode ser visitada no edifício da Câmara Municipal de Borba até ao dia 16 de março, estando aberta à comunidade e a todos os interessados em conhecer histórias de superação e afirmação de mulheres ciganas em Portugal.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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