O adro do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, recebeu na noite deste sábado, 11 de julho, a quarta edição do “Fado no Adro”, uma iniciativa que voltou a unir cultura, património e solidariedade num dos mais emblemáticos espaços religiosos do país.
A edição de 2026 contou com as atuações dos fadistas Hélder Moutinho e Miguel Moura, representantes de duas gerações distintas da canção nacional. Com uma carreira consolidada de mais de três décadas, Hélder Moutinho é uma das vozes de referência do fado contemporâneo, destacando-se pela fidelidade ao fado tradicional e pela autenticidade das suas interpretações. Já Miguel Moura integra a nova geração de fadistas, afirmando-se pela sensibilidade interpretativa e pela forte ligação às raízes do género.
O evento voltou a levar o fado — reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade — ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, local onde se encontra o trono da Padroeira de Portugal, proporcionando uma noite marcada pela música portuguesa num cenário de elevado simbolismo para a identidade nacional.
O Juiz da Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição, Fernando Pinto, explicou que a realização do “Fado no Adro” resulta da vontade de “manter o Santuário vivo também através da cultura”, promovendo iniciativas que levem mais pessoas àquele espaço, para além das celebrações religiosas e afirmou que “a importância deste evento é manter vivo aquilo que preconizámos e pensámos desde que chegámos a este santuário”, acrescentando que “a primeira questão é manter aqui sempre atividades culturais no santuário, neste caso no adro, de forma a também trazer pessoas, não só pelo virem às celebrações religiosas, mas também num outro formato”.
Para o responsável, o fado é a expressão cultural que melhor representa este objetivo, uma vez que “tem tudo a ver com o que é ser português”, considerando que “nada melhor que a casa da nossa Padroeira e da nossa Rainha para, de facto, trazer esta canção tão linda e tão portuguesa”.
Fernando Pinto referiu ainda que a união entre o fado e o Santuário foi um dos fatores que impulsionou a criação da iniciativa, mas não o único e que a intenção passa por continuar a trazer a Vila Viçosa fadistas de diferentes gerações e níveis de notoriedade, mostrando que aquele espaço pode acolher espetáculos de elevada qualidade. “Queremos continuar a trazer aqui fadistas, uns mais famosos, outros menos, e mostrar também às pessoas que é possível fazer um espetáculo lindíssimo à volta do fado neste espaço que é lindíssimo, que é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição”, sublinhou.
Além da vertente cultural, o “Fado no Adro” mantém o seu caráter solidário. À semelhança das edições anteriores, as receitas obtidas com o espetáculo revertem para as obras de conservação e restauro do Santuário da Padroeira de Portugal. O Juiz da Régia Confraria explicou que esta é também uma forma de apoiar financeiramente o projeto de recuperação que está em curso. “Por outro lado também, juntando a isto, angariar alguns fundos que fazem sempre falta, quer para a recuperação do santuário, quer para a própria vida do santuário”, referiu.
Fernando Pinto esclareceu ainda que a angariação de verbas é importante, mas que a dimensão cultural permanece como prioridade e destacou a ambição que “esta parte cultural e lúdica continue a existir”, acrescentando que o sucesso alcançado pelo evento enquanto forma de apoiar financeiramente a recuperação do Santuário justifica a continuidade da iniciativa.
Ao longo de quatro edições, o “Fado no Adro” tem vindo a afirmar-se como uma referência cultural e solidária na região, conjugando a valorização do património, a promoção da cultura portuguesa e o apoio à preservação do Santuário de Nossa Senhora da Conceição.
A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:


































































































































