A cidade de Estremoz recebeu este sábado a nona edição do festival Ciência na Rua, uma iniciativa promovida pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, em parceria com o Município de Estremoz e a Universidade de Évora, que transforma o centro histórico da cidade num grande palco de divulgação científica, expressão artística e reflexão sobre os desafios do futuro.
O evento, considerado pelos organizadores um festival de ciência e arte de características únicas em Portugal, regressa este ano após uma longa interrupção, uma vez que a última edição decorreu em 2014. A iniciativa conta com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e reúne dezenas de cientistas, investigadores, artistas e animadores culturais que, ao longo do dia, dinamizam experiências científicas, espetáculos e atividades interativas destinadas a públicos de todas as idades.
As atividades distribuiram-se entre as instalações do Centro Ciência Viva de Estremoz e o Rossio Marquês de Pombal, dois dos principais espaços do evento, que atrairam muitos visitantes.
A edição de 2026 teve como tema central “Sustentabilidade… Insustentável?!…”, procurando promover uma reflexão alargada sobre os principais desafios ambientais, sociais e económicos que marcam a atualidade.
O programa foi organizado em torno de sete grandes áreas temáticas: “Terra… Um Planeta Dinâmico!!!”, “Biodiversidade… Evolução versus Extinções…”, “Quantos Somos? O Que Usamos?”, “A Energia Que Nos Move!!!”, “O Que Sujamos? O Que Desperdiçamos?”, “Os Nossos Climas… Passado… Presente e Futuro…” e “O Que Fazer???…!!!”.
Através destes temas, os participantes foramconvidados a refletir sobre questões como as alterações climáticas, a gestão sustentável dos recursos naturais, o crescimento populacional, a preservação da biodiversidade, os consumos energéticos e a necessidade de encontrar soluções para garantir um futuro mais equilibrado para as próximas gerações.
Uma das grandes novidades desta edição foi apresentada logo após o espetáculo inaugural. Em declarações à Rádio Campanário, o responsável pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, Rui Dias, destacou a criação artística “ESTAMOS CEGOS!”, uma obra original inspirada na tradição dos Bonecos de Estremoz.
Da autoria do artesão Ricardo Fonseca, a peça resulta da fusão de duas figuras emblemáticas da arte popular estremocense: “O Amor é Cego” e “A Primavera”. Desta combinação nasceu uma obra contemporânea que mantém viva a identidade dos Bonecos de Estremoz, Património Cultural Imaterial da Humanidade reconhecido pela UNESCO, ao mesmo tempo que transmite uma mensagem de alerta para os desafios ambientais da atualidade.
Segundo Rui Dias, esta ligação entre ciência, cultura e património constitui uma das marcas distintivas que a organização pretende reforçar em futuras edições do festival.
“O Centro Ciência Viva gosta de se aliar ao meio e à tradição”, sublinhou o responsável, destacando a importância de valorizar as raízes culturais locais enquanto se promovem novas formas de sensibilização para os grandes temas da atualidade.
Ao longo da tarde/noite, dezenas de investigadores da Universidade de Évora colocaram os seus conhecimentos ao serviço dos visitantes através de demonstrações, experiências práticas e atividades participativas que procuram explicar, de forma acessível e interativa, fenómenos científicos associados aos sete temas do festival.
A programação incluiu ainda teatro, música, dança, circo contemporâneo, marionetas, animação de rua e múltiplas experiências científicas, numa combinação que pretendeu aproximar a ciência do público e demonstrar como esta faz parte do quotidiano.
Os promotores sublinham que o objetivo passa por ajudar os visitantes a compreender melhor o planeta em que vivem, os recursos que utilizam e os desafios que a sociedade enfrenta, incentivando simultaneamente uma participação mais ativa na construção de soluções para um futuro sustentável.
Com entrada livre e atividades dirigidas a todas as faixas etárias, a nona edição do Ciência na Rua voltou assim a afirmar-se como um dos mais importantes eventos de divulgação científica do Alentejo, colocando Estremoz no centro do debate sobre sustentabilidade, conhecimento e cidadania.
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