O período compreendido entre novembro de 2025 e 15 de fevereiro de 2026 ficou marcado como um dos mais chuvosos das últimas décadas em Portugal continental, com valores de precipitação muito acima da média e impactos significativos na situação hidrológica do país.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera,(IPMA), o ano de 2025 terminou como o 3.º mais chuvoso desde 2000, com um total anual de 1064,8 mm, o que corresponde a 130% do valor normal no período de referência 1991-2020. Foi também o 5.º mais quente desde que há registos, tendo sido registadas seis ondas de calor, incluindo uma com características excecionais.
Os meses de novembro e dezembro de 2025 deram sinais claros de um ano hidrológico atípico. Novembro foi o 3.º mais chuvoso desde 2000 e dezembro o 7.º. Em várias zonas do Norte e Centro, em novembro, e do Centro e Sul, em dezembro, a precipitação atingiu entre 1,5 e 2,5 vezes o valor normal.
Janeiro de 2026 foi o 2.º mais chuvoso desde 2000, marcado pela passagem de cinco depressões – Francis, Goreti, Ingrid, Joseph e Kristin. Em grande parte das regiões Centro e Sul, os valores mensais situaram-se entre 250% e 350% do normal.
O mês ficou também assinalado por fenómenos meteorológicos intensos, com a maior rajada de vento registada nas estações de superfície a atingir 177,8 km/h em Monte Real/Base Aérea.
Os primeiros 15 dias de fevereiro de 2026 confirmam a tendência excecional. Com um total acumulado de 223,5 mm – 304% do valor normal (cerca de três vezes superior à média 1991-2020) – este já é o fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o 10.º mais chuvoso desde 1931.
Grande parte do território apresenta valores entre 300% e 400% do normal, atingindo mesmo mais de 500% em localidades como Mora, Lavradio e Alvalade do Sado.
Entre novembro de 2025 e 15 de fevereiro de 2026, o total acumulado de precipitação foi de 819,2 mm, o dobro do valor médio para o período, representando o 7.º valor mais elevado desde 1931.
Mais de metade dos distritos já atingiu ou ultrapassou o valor médio anual de precipitação, sendo que em Faro o total acumulado já supera a média de um ano completo.

