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Governo lança Orquestra Regional do Alentejo. Universidade de Évora prepara candidatura para liderar projeto (c/fotos)

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, afirmou esta sexta-feira que a futura Orquestra Regional do Alentejo pretende responder a uma lacuna existente no panorama cultural nacional, promover a criação artística e gerar emprego qualificado na região.

A governante falava no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, onde presidiu à sessão de esclarecimento sobre o concurso para a constituição da nova estrutura, promovida pela Direção-Geral das Artes (DGARTES), que reuniu autarcas, agentes culturais e representantes de várias instituições do Alentejo.

“As expectativas são elevadas”, afirmou a ministra, justificando esse otimismo com a forte adesão à sessão e com o interesse demonstrado pelos autarcas. Margarida Balseiro Lopes recordou que o país já dispõe de orquestras regionais nas Beiras, no Norte e no Algarve, considerando que “a criação da orquestra possa preencher uma lacuna” existente no Alentejo.

Segundo explicou, o objetivo passa por apoiar a criação artística na área da música, mas também por criar emprego qualificado e estabelecer redes de colaboração entre diversas entidades da região. A ministra destacou, neste contexto, a presença da Universidade de Évora na sessão e a importância de envolver instituições culturais, autarquias e entidades de ensino superior para garantir a sustentabilidade do projeto.

A governante salientou ainda o papel desempenhado pela associação Évora_27 na génese da iniciativa, considerando que foi “bem mais do que uma plataforma” e assumiu-se como a principal promotora da criação da Orquestra Regional do Alentejo e manifestou igualmente a expectativa de que a futura orquestra possa circular pelos municípios envolvidos, por outras regiões do país e também além-fronteiras.

No plano financeiro, Margarida Balseiro Lopes anunciou que o Governo vai atribuir um apoio extraordinário de 190 mil euros para a instalação da orquestra, valor que acresce ao financiamento anual de 810 mil euros previsto para estas estruturas.

“O nosso objetivo é dar aqui uma força acrescida inicial à Orquestra Regional do Alentejo”, afirmou, explicando que esta verba será assegurada através do Fundo de Fomento Cultural e representa “mais um sinal do grande compromisso do Governo” com a concretização do projeto.

Questionada sobre a sustentabilidade financeira após o período inicial de apoio, a ministra explicou que a nova orquestra ficará sujeita ao mesmo regime jurídico das restantes orquestras regionais. O financiamento previsto no concurso é de dois anos, sendo que as decisões futuras dependerão das opções dos próximos responsáveis pela tutela.

À margem da sessão, o vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, António Sáez Delgado, confirmou que a instituição vai apresentar uma candidatura para liderar a futura Orquestra Regional do Alentejo.

“Acreditamos que temos o conhecimento, a experiência e todas as condições para liderar um projeto de uma orquestra”, afirmou, recordando que a Universidade de Évora é a única instituição pública de ensino superior da região com formação em música.

O responsável explicou que a candidatura está a ser preparada em articulação com municípios, associações e outras entidades, defendendo que a futura orquestra deve representar toda a região. “Não queremos que seja a candidatura do norte, do centro, do sul, do interior ou do litoral, queremos que seja a Orquestra do Alentejo, para o Alentejo e concebida no seio do Alentejo”, sublinhou.

António Sáez Delgado revelou que já existem vários municípios interessados em integrar o projeto, embora tenha optado por não os identificar nesta fase. O vice-reitor admitiu, contudo, que o calendário do concurso poderá dificultar a preparação da candidatura, uma vez que o prazo termina a 9 de setembro.

Por esse motivo, a Universidade de Évora vai solicitar ao Ministério da Cultura o prolongamento do prazo de apresentação das candidaturas e justificou que “o mês de agosto é muito complicado” para desenvolver os contactos necessários com autarquias e parceiros institucionais, justificou.

Apesar desse constrangimento, António Sáez Delgado mostrou-se confiante na capacidade de construir uma candidatura agregadora. “O nosso sonho é que esta candidatura consiga reunir o consenso de todos ou de quase todos”, concluiu.

Entre expectativas elevadas e o desafio de construir um projeto verdadeiramente representativo da região, a futura Orquestra Regional do Alentejo entra agora na fase decisiva de constituição, com a ambição de se afirmar como um novo motor de criação, cooperação e descentralização cultural.

A Rádio Campanário esteve presente e mostra-lhe as fotografias:

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