Há ruas que são apenas um lugar de passagem. E há outras que, uma vez por ano, se transformam num verdadeiro ponto de encontro para uma comunidade inteira. Em Vila Viçosa, a Rua da Pascoela voltou a cumprir essa tradição, enchendo-se de música, petiscos, gargalhadas e reencontros naquela que já é uma das festas populares mais acarinhadas da “Princesa do Alentejo”.
Ao longo de dois dias, as mesas ocuparam a rua, a gastronomia alentejana reuniu famílias e amigos e a animação voltou a recordar que as tradições continuam bem vivas quando há quem as mantenha.
Por trás desta organização está a Associação Alegres do Olival (AAO), que celebra uma década à frente daquele que começou por ser um pequeno convívio de vizinhos e que hoje é uma referência nas festas populares da região.
À frente da associação, João Nunes, conhecido por “Matagosa”, não esconde que o sucesso alcançado ao longo destes dez anos tem uma explicação simples.
“Muito esforço e dedicação”, resumiu, em declarações à Rádio Campanário.
O presidente da AAO faz um balanço positivo do caminho percorrido e acredita que a festa tem todas as condições para continuar a crescer.
“Tendo em conta a forma como a festa começou, o percurso tem sido positivo”, afirmou, garantindo que a organização procura, ano após ano, melhorar todos os pormenores para receber quem visita a Rua da Pascoela.
Além das tradicionais iguarias das festas populares, com destaque para o porco no espeto, a edição deste ano voltou a reservar um espaço especial para as famílias. As crianças puderam desfrutar de pinturas faciais e de um insuflável, numa aposta que pretende tornar o evento cada vez mais inclusivo e intergeracional.
A realização da festa conta também com o apoio do Município de Vila Viçosa e da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e São Bartolomeu, parceiros que a associação considera fundamentais para manter viva esta tradição.
Mas, para João Nunes, o verdadeiro segredo continua a estar nas pessoas. São os voluntários da associação que, todos os anos, dedicam horas de trabalho para preparar cada detalhe e garantir que nada falha. E já com os mais novos a ajudarem.
A animação musical esteve a cargo dos En’Canta Modas, na sexta-feira, e de David Melão, no sábado, completando um programa onde a música, a gastronomia e o convívio voltaram a caminhar lado a lado.
Há dez anos, poucos conheciam a Rua da Pascoela. Hoje, o nome já ultrapassa as fronteiras de Vila Viçosa e tornou-se sinónimo de uma festa feita de autenticidade, onde o que realmente atrai quem chega não são apenas os petiscos ou a música, mas o ambiente de proximidade que se vive entre vizinhos, amigos e visitantes.
Porque há festas que impressionam pela dimensão. E depois há a Festa da Rua da Pascoela, que continua a conquistar quem por ali passa pela sua simplicidade, pelo calor humano e pela capacidade de lembrar que as maiores tradições são aquelas que conseguem reunir as pessoas em torno daquilo que nunca passa de moda: o convívio, a amizade e o sentimento de pertença.


















































