A Serra d’Ossa prepara-se para ganhar uma nova projeção turística com o programa de valorização que representa um investimento global superior a quatro milhões de euros e que pretende transformar este território num destino de referência para o turismo de natureza em Portugal e na Península Ibérica.
A estratégia é coordenada pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, em parceria com os cinco municípios envolvidos — Estremoz, Redondo, Borba, Vila Viçosa e Alandroal — e com a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo. A candidatura apresentada ao Turismo de Portugal recebeu um incentivo público de 2,5 milhões de euros, envolvendo sete entidades beneficiárias.
“Foi a Entidade Regional de Turismo que montou com os cinco municípios e com a Agência de Promoção Turística do Alentejo esta estratégia e a candidatou ao Turismo de Portugal”, explicou José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
O responsável adianta que o papel da entidade regional passa também pela criação de uma identidade comum para o projeto, através de uma linha de comunicação integrada e de um sistema de bilhética único que irá ligar os vários equipamentos turísticos previstos. “Vamos unir numa rede de informação e promoção turística os centros interpretativos e os miradouros, cujas obras, algumas delas, como é público, já estão a ser executadas”, afirmou.
O objetivo passa por “valorizar a Serra d’Ossa como um novo destino de turismo de natureza, primeiro à escala de Portugal e da Península Ibérica e depois, numa segunda fase, à escala internacional”, destacou José Santos.
O programa assenta numa forte componente de investimento municipal, com cada um dos concelhos a assumir a responsabilidade por diferentes intervenções físicas no território. O presidente da Entidade Regional de Turismo realçou a dinâmica dos municípios parceiros, considerando-os “os grandes dinamizadores do projeto”.
Segundo José Santos, em Redondo, já foi lançado o concurso público para o Centro de Misticismo da Serra d’Ossa, em Estremoz, o miradouro e o Centro Interpretativo ligado aos Cheiros e Sabores encontram-se em desenvolvimento, estando algumas intervenções já em obra e em Borba existem também já projetos em fase de concurso ou adjudicação e destacou que “é muito importante que exista uma dinâmica de implementação forte para que também se mostre ao Turismo de Portugal que valeu a pena esta candidatura e que valeu a pena este apoio público”.
A expectativa é que o programa permita criar uma oferta turística organizada, capaz de juntar diferentes valências do território, desde o turismo de natureza ao património, gastronomia, vinhos e cultura. “Este projeto poderá ser aqui uma forma de ligar, de criar sinergias entre os recursos destes municípios e de criar produtos turísticos efetivos”, referiu.
A estratégia pretende também aproximar os agentes económicos locais dos mercados turísticos, envolvendo empresas da restauração, comércio, alojamento local e hotelaria. Para José Santos, o objetivo final passa por “atrair operadores e comercializar programas que vão englobar as empresas deste território”.
Uma das principais novidades será a criação de uma rede integrada de equipamentos, com miradouros e centros interpretativos ligados por uma narrativa comum. O visitante poderá adquirir um bilhete único e ter acesso aos vários pontos da rede, independentemente do município onde iniciou a visita.
“Implica ter uma lógica de conteúdo, de um discurso de storytelling integrado”, explicou o responsável, acrescentando que a Serra d’Ossa será o elemento central, mas que cada município irá contribuir com os seus próprios recursos e histórias.
O projeto inclui ainda um trabalho de investigação e valorização do património local, envolvendo elementos diferenciadores dos cinco concelhos. José Santos destacou, por exemplo, a estratégia de valorização do património construído do Alandroal, com destaque para o Castelo, e a candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial da UNESCO.
A iniciativa surge na sequência de uma colaboração crescente entre os municípios da Serra d’Ossa, que já deu origem a projetos conjuntos como o Granfondo Serra d’Ossa e a iniciativa Cidade do Vinho da Serra d’Ossa. Para o presidente da Entidade Regional de Turismo, esta cooperação “é uma dinâmica muito interessante” que tem sido acompanhada e promovida pela entidade regional.
Com conclusão prevista para 2028, o Programa de Valorização da Serra d’Ossa pretende deixar como legado uma maior organização dos recursos turísticos, novas infraestruturas e uma capacidade reforçada para integrar o território nos circuitos nacionais e internacionais de turismo.
“Quando terminado, a nossa expectativa é que possa trazer uma organização de recursos e de produtos turísticos a este território mais forte e que traga mais pessoas”, concluiu José Santos.
Mais do que um conjunto de intervenções isoladas, o Programa de Valorização da Serra d’Ossa pretende afirmar-se como uma estratégia conjunta de desenvolvimento territorial, capaz de reforçar a atratividade dos cinco municípios envolvidos e de criar novas oportunidades para a economia local. Com a aposta na promoção integrada dos recursos naturais, culturais e gastronómicos, a Serra d’Ossa procura posicionar-se como um destino diferenciador, conciliando preservação do património com a criação de novas experiências para quem visita o Alentejo.

