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Levar livros, guardar memórias: a missão de Bento e Gonçalo para preservar a identidade de Redondo

Há projetos que levam livros. E há projetos que levam muito mais do que livros. A Biblioteca Itinerante de Redondo, em funcionamento continuado há mais de 63 anos, foi um dos temas em destaque na passada quarta-feira no programa “Hora do Café”, com Ana Rocha, que esteve à conversa com Bento Ramires e Gonçalo Vidigal.

Com uma história que atravessa gerações, a Biblioteca Itinerante mantém uma missão que vai muito além da promoção da leitura: chegar às comunidades rurais e periféricas do concelho, aproximando a cultura de quem vive mais distante dos equipamentos culturais e contribuindo também para combater o isolamento social.

Bento Ramires, rosto associado à Biblioteca Itinerante de Redondo, representa um projeto que, ao longo de décadas, se tornou parte da vida de muitas comunidades do concelho. A carrinha que percorre as localidades não transporta apenas livros. Transporta encontros, conversas, histórias e companhia.

É precisamente essa dimensão humana que transforma a Biblioteca Itinerante num verdadeiro projeto social, onde a leitura surge como ponto de partida para criar proximidade e fortalecer os laços entre as pessoas. Num tempo em que o acesso à cultura é muitas vezes associado aos grandes centros urbanos, a existência de um serviço que vai ao encontro das populações assume uma importância particular nas comunidades rurais e periféricas.

A conversa contou igualmente com Gonçalo Vidigal, atualmente responsável pelo projeto “Sons da Vida e Ecos da Memória”, da Câmara Municipal de Redondo. O projeto nasce com uma missão diferente, mas complementar: preservar a identidade oral do concelho e impedir que se percam vozes, sotaques, sons, saberes e memórias que fazem parte da história de Redondo.

A iniciativa pretende criar um arquivo audiovisual e sonoro capaz de guardar testemunhos da população, registando ofícios, tradições, modos de contar histórias e diferentes manifestações da oralidade local. Porque uma terra não é feita apenas dos seus monumentos ou das suas paisagens. É também feita pelas palavras das pessoas que nela nasceram, viveram e trabalharam.

Cada sotaque conta uma história. Cada expressão guarda uma memória. Cada testemunho pode ser uma pequena peça de um património que, se não for registado, corre o risco de desaparecer com o passar das gerações.

Apesar das suas características distintas, a Biblioteca Itinerante e o projeto “Sons da Vida e Ecos da Memória” partilham um objetivo essencial: colocar as pessoas no centro.

Um leva livros e cultura até às comunidades. O outro recolhe as suas histórias para que possam permanecer no futuro. Um aproxima o presente. O outro preserva o passado.

Juntos, mostram que a cultura também se constrói na estrada, nas pequenas localidades, nas conversas e nas memórias daqueles que têm uma vida inteira para contar.

Oiça aqui a entrevista:

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