O Dia Internacional da Mulher, celebrado este domingo, 8 de março, continua a ser um momento de reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade e nos diferentes setores de atividade. Apesar dos avanços registados ao longo das últimas décadas, existem ainda áreas onde os cargos de liderança são maioritariamente ocupados por homens.
Um desses exemplos é o universo dos bombeiros voluntários. Durante muitos anos, as corporações foram quase exclusivas do sexo masculino, realidade que tem vindo a mudar gradualmente com a entrada de mulheres nas equipas operacionais e também nos órgãos dirigentes.
No distrito de Évora, apenas duas mulheres ocupam atualmente a presidência da direção de associações humanitárias de bombeiros voluntários: uma em Reguengos de Monsaraz e outra em Redondo.
Em Redondo, Lurdes Pereira assume a presidência da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários há 12 anos, uma experiência que descreve como positiva e gratificante.
À margem das I Jornadas de Emergência Pré-Hospitalar, realizadas no passado sábado e organizadas pela corporação de Redondo, a dirigente falou à Rádio Campanário sobre o percurso neste cargo.
Consciente de que se trata de uma função tradicionalmente ocupada por homens, Lurdes Pereira afirma que a experiência tem sido positiva.
“Tem sido uma experiência agradável. Trabalha-se muito bem com homens”, afirmou.
Apesar disso, reconhece que assumir esta responsabilidade pode ser mais exigente para uma mulher, sobretudo porque se trata de um trabalho voluntário que se soma à vida profissional e familiar.
Além da atividade profissional, há ainda a gestão da casa e da família, fatores que tornam a conciliação mais desafiante.
Ainda assim, a presidente sublinha que liderar uma associação de bombeiros é, por si só, uma motivação adicional.“Se gostaria de dar ainda mais? Claro que sim. É muito gratificante o trabalho que desenvolvemos”, referiu.
Questionada sobre se alguma vez sentiu tratamento diferente por ser mulher, Lurdes Pereira garante que nunca enfrentou discriminação, afirmando que, pelo contrário, sempre foi bem recebida e respeitada no meio.
A dirigente alerta, no entanto, para aquele que considera ser o principal problema das associações humanitárias de bombeiros: a falta de recursos humanos.
Segundo Lurdes Pereira, há cada vez menos disponibilidade das pessoas para o voluntariado, situação que poderia ser atenuada com mais incentivos que tornem a carreira de bombeiro mais atrativa.
Sobre a realização das I Jornadas de Emergência Pré-Hospitalar, a presidente da direção mostrou-se particularmente orgulhosa da iniciativa.
Destaca que o evento resultou sobretudo do empenho de jovens da corporação, interessados em promover a partilha de conhecimento na área da emergência.
Lurdes Pereira salientou ainda o simbolismo da iniciativa acontecer no Alentejo.
“É um orgulho. Trata-se sobretudo de trabalho de gente jovem que quer levar para a frente esta partilha de conhecimentos”, afirmou.
A dirigente acrescenta que nem sempre a região é escolhida para este tipo de iniciativas, pelo que a realização das jornadas em Redondo representa também um reconhecimento do trabalho desenvolvido na região.

