A reorganização da resposta de Oncologia na ULS do Alto Alentejo está a gerar forte preocupação entre utentes e comunidade do distrito. Uma petição lançada recentemente pede à administração que não reduza as horas de consulta do oncologista Rui Dinis e que reforce a capacidade de resposta no Hospital de Portalegre. A peticão conta já com 2423 assinaturas
A ULSAALE garante, contudo, que a resposta assistencial “não será reduzida” e afirma estar a preparar medidas de reforço do serviço.A reorganização do serviço de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, está a provocar uma crescente onda de preocupação entre doentes, familiares e utentes da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE).
No centro da contestação está a possibilidade de redução do número de horas de consulta atribuídas ao médico oncologista Rui Dinis, uma situação que levou um grupo de cidadãos a lançar uma petição pública dirigida ao Conselho de Administração da ULSAALE.
A iniciativa, intitulada “Diga NÃO à diminuição da resposta das consultas de Oncologia pelo Dr. Rui Dinis, na ULSAALE”, defende a manutenção da atual capacidade de acompanhamento dos doentes e reclama que qualquer alteração à organização do serviço seja acompanhada de transparência e diálogo com a comunidade.
A petição, criada a 3 de setembro, ganhou rapidamente expressão pública.Os subscritores sustentam que a Oncologia é uma área particularmente sensível, na qual a continuidade dos cuidados, a proximidade e a relação de confiança entre médico e doente assumem uma importância determinante.
Na exposição apresentada à administração da ULSAALE, os peticionários alertam que uma eventual redução da atividade assistencial poderá traduzir-se num aumento dos tempos de espera para consultas, numa perda de continuidade para doentes que já se encontram em acompanhamento e num eventual risco de incumprimento dos tempos máximos de resposta garantidos, nomeadamente no âmbito da Via Verde Oncológica.
Para os promotores da petição, qualquer diminuição da capacidade de resposta local poderá agravar as desigualdades no acesso à saúde numa região do interior, onde muitos doentes já enfrentam deslocações significativas para recorrer a cuidados diferenciados. Os peticionários consideram, por isso, que está em causa não apenas a organização interna de um serviço, mas a capacidade de assegurar cuidados oncológicos próximos, atempados e continuados aos doentes do Alto Alentejo.
A contestação tem também uma dimensão humana. Rui Dinis, exerce funções em Portalegre há cerca de 16 anos e a relação de proximidade e cuidado com os doentes é evidenciado sobretudo pelos próprios mas também pelos familiares. A polémica ultrapassou entretanto o universo dos utentes e chegou à esfera política com o Partido Socialista a nível distrital a manifestar a sua preocupação e com diferentes partidos a levarem o assunto à Assembleia da República.
Perante a contestação, a administração da ULS do Alto Alentejo veio a público rejeitar a existência de cortes na resposta assistencial. Num comunicado, o Conselho de Administração afirmou que “não está prevista qualquer redução na resposta assistencial da Unidade de Oncologia”, garantindo, pelo contrário, que estão em curso medidas destinadas ao reforço e desenvolvimento do serviço.
A ULSAALE aponta para o reforço de recursos humanos diferenciados, bem como para a melhoria das condições infraestruturais e organizacionais. As alterações na Oncologia surgem num contexto mais amplo de reorganização da resposta de saúde em Portalegre. Perante o cenário de reorganização, os promotores da petição colocam quatro exigências principais à ULSAALE.
A primeira é clara: não reduzir o número de horas de consulta atribuídas ao Dr. Rui Dinis; a 2ª passa por assegurar a manutenção e, sempre que possível, o reforço da capacidade de resposta em Oncologia, tanto na consulta externa como no hospital de dia. Os peticionários pedem ainda que a ULSAALE garanta transparência e diálogo com a comunidade e com as estruturas representativas dos utentes sempre que estejam em causa alterações na organização dos cuidados de saúde e por último, solicitam uma resposta escrita e fundamentada da administração no prazo de 30 dias após a receção da petição.
Num território onde a distância aos grandes centros hospitalares continua a ser uma realidade, a capacidade de assegurar cuidados diferenciados em proximidade assume uma importância acrescida.
E é precisamente por isso que a reorganização da Oncologia de Portalegre continuará, previsivelmente, sob o olhar atento dos doentes, famílias, profissionais de saúde e forças políticas da região.
Acesso à petição AQUI

