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Manhã feita de histórias de afetos: A Rádio Campanário no coração da Misericórdia de Avis

Há manhãs que terminam quando o relógio avança. E há outras que permanecem na memória muito depois de os microfones serem desligados. A passada sexta-feira foi uma dessas manhãs. O Lar de Nossa Senhora da Orada, da Misericórdia de Avis, recebeu uma emissão especial do programa “Manhãs da Ana”, da Rádio Campanário, integrada na iniciativa “A Rádio de Mãos Dadas”. O que começou como uma emissão em direto rapidamente se transformou num encontro marcado pela emoção, pela partilha e pelas histórias de quem faz diariamente a diferença na vida dos outros.

Mais do que levar a rádio até uma instituição, a iniciativa procurou aproximar pessoas, dar voz a quem muitas vezes permanece longe dos grandes palcos e mostrar o rosto humano de uma comunidade. Durante a manhã, José Domingos Ramalho, administrador da Rádio Campanário, enquadrou a iniciativa no âmbito das celebrações dos 40 anos da estação emissora, que serão assinalados em 2026.

A presença da rádio no Lar de Nossa Senhora da Orada assumiu, assim, um significado particular: aproximar os microfones das pessoas e das instituições que todos os dias constroem as comunidades. Uma rádio que, nesta iniciativa, saiu do estúdio para ouvir de perto quem tem histórias para contar.

Também presente na emissão, a vice-presidente da Câmara Municipal de Avis, Telma Bento, destacou a importância do setor social para o concelho e o acompanhamento que o município procura fazer das necessidades da população, particularmente dos grupos mais vulneráveis. A autarca sublinhou a importância de olhar para as diferentes gerações e de garantir atenção tanto aos mais jovens como àqueles que, depois de uma vida de trabalho e dedicação, merecem envelhecer com dignidade, conforto e qualidade de vida.

Uma mensagem que encontrou eco no ambiente vivido ao longo da manhã: cuidar não é apenas prestar assistência. É estar presente, ouvir, compreender e reconhecer o valor de cada pessoa. A provedora da instituição, Lisália Madeira, destacou o trabalho desenvolvido diariamente pela Misericórdia de Avis e o empenho de toda a equipa na promoção do bem-estar dos utentes. Também Vanessa, diretora da instituição, fez questão de valorizar o trabalho dos colaboradores, aqueles que, todos os dias, acompanham de perto os utentes e transformam pequenos gestos em grandes manifestações de cuidado.

Maria do Céu, Mónica, Adélia e Antónia, funcionárias da instituição, partilharam igualmente as suas experiências. Nas suas palavras esteve presente uma realidade muitas vezes invisível: a exigência, a responsabilidade e, sobretudo, a dimensão humana de quem trabalha diariamente com pessoas que precisam de atenção, carinho e companhia. São histórias feitas de rotinas, mas também de afetos. De dias difíceis, mas igualmente de momentos de alegria. De trabalho, mas sobretudo de pessoas.

A manhã permitiu ainda dar a conhecer o trabalho desenvolvido através do CLDS 5G, projeto coordenado pela instituição. Manuela, técnica do projeto, explicou os objetivos e as principais prioridades desta resposta, mostrando como o trabalho social pode assumir diferentes dimensões e contribuir para uma comunidade mais próxima e inclusiva.

Mas foi na parte final da emissão que a manhã ganhou uma dimensão particularmente especial. Duas utentes da Santa Casa, Toríbia e Odete, aceitaram partilhar as suas histórias de vida. Sem grandes discursos ou palavras complicadas, falaram de uma vida feita de caminhos percorridos, dificuldades ultrapassadas, alegrias vividas e saudades guardadas. Foram testemunhos simples e, precisamente por isso, profundamente humanos.

As suas palavras recordaram a todos os presentes que por detrás de cada rosto existe uma história. Que cada pessoa transporta consigo décadas de memórias, afetos, perdas, conquistas e sonhos. E que envelhecer não significa deixar de sentir, de recordar, de sorrir ou de sonhar. No final, ficaram muito mais do que as palavras transmitidas através da rádio. Ficou um encontro. Ficou a proximidade. Ficaram histórias. Ficou o reconhecimento pelo trabalho de quem cuida e, sobretudo, ficou a voz daqueles que têm uma vida inteira para contar.

A iniciativa “A Rádio de Mãos Dadas” mostrou, em Avis, que a rádio pode ser muito mais do que um meio de comunicação. Pode ser uma ponte entre pessoas, gerações e instituições. Naquela manhã, os microfones levaram as histórias do Lar de Nossa Senhora da Orada para além das suas paredes. Mas foram as pessoas que deram verdadeiro sentido à emissão.

A emissão terminou, os microfones desligaram-se mas a memória desta manhã especial essa vai ficar para sempre.

Oiça aqui o programa completo:

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