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Marcha lenta na quinta-feira no concelho de Grândola exige obras na EN261

Moradores da aldeia de Melides, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, promovem uma marcha lenta, na quinta-feira, para exigir a requalificação da Estrada Nacional 261 (EN261), cujo piso tem vindo a degradar-se devido ao mau tempo.

O presidente da Junta de Freguesia de Melides, Bruno Mateus, explicou hoje à agência Lusa que a estrada, há vários anos, apresenta “algumas deficiências”, cuja melhoria tem sido reivindicada junto da empresa Infraestruturas de Portugal (IP), mas tem “piorado muito nos últimos meses”.

“Temos vindo sempre a reivindicar as melhorias [e] a IP apenas coloca algum alcatrão fresado [nos buracos]. Neste momento, isso já não chega, a estrada tem de ser requalificada” numa extensão superior a 30 quilómetros, estimou o autarca.

Apesar das “inúmeras reclamações” e do “pedido de reunião de urgência” efetuado pela Câmara de Grândola à empresa, em janeiro, para exigir a reparação desta estrada nacional, a via continua a degradar-se e “as pessoas estão constantemente a colocar-se em perigo”, criticou.

De acordo com Bruno Mateus, além de esta ser “uma estrada com muito tráfego, muito transporte pesado de mercadorias [e] algum transporte público”, é também “muito utilizada pela população de Sines, Santo André e Santiago do Cacém” nas suas deslocações diárias para o trabalho.

“Por diversas vezes, há carros parados na estrada devido a furos nos pneus [porque] os buracos são cada vez maiores e mais fundos”. Uma situação que se agravou com a chuva das últimas semanas, reforçou, acrescentando que os automobilistas são obrigados “a colocar a sua vida em risco” para evitar cair nesses buracos.

Ao protesto da população de Melides, agendado para as 07:30 de quinta-feira, segundo a organização, vão juntar-se autarcas e moradores da freguesia de Santo André, no concelho vizinho de Santiago do Cacém. Os participantes vão percorrer em marcha lenta uma extensão aproximada de 14 quilómetros, com partida das Fontainhas do Mar e chegada a Melides.

Como exemplo “do mau estado” da estrada, o autarca apontou o troço entre as localidades de Comporta e Carvalhal, para exigir a requalificação total da EN261, até à localidade de Cascalheira (Santiago do Cacém).

Entretanto, foi lançada uma petição pública, já com 489 assinaturas, que reclama uma avaliação técnica completa à EN261, a reparação imediata dos buracos, abatimentos e deformações, a repavimentação do troço comprometido, a melhoria e reforço da sinalização horizontal e vertical e a adoção de medidas de prevenção que evitem nova degradação acelerada da via.

Também devido ao mau tempo, o trânsito está cortado no troço da EN390 que liga Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, distrito de Beja, a Cercal do Alentejo, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, após o piso ter abatido, mas existem alternativas pela Estrada Municipal (EM1072), sentido Porto Covo, EM532,no sentido São Luís, e EN393, sentido Odemira.

Outros dos exemplos de estradas com problemas na região do litoral alentejano, é o Caminho Municipal (CM1109), que liga São Torpes a Porto Covo, no concelho de Sines, devido ao aluimento de terras e colapso total da via na zona de Morgavel, provocado pela descarga da barragem do mesmo nome, a primeira a ser efetuada em mais de 40 anos.

Segundo a Câmara de Sines, o trânsito encontra-se encerrado por tempo indeterminado, estando a ser avaliada, em conjunto com a empresa Águas de Santo André, “uma solução que permita repor a circulação automóvel e o sistema hidráulico da zona o mais depressa possível”.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados, a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, entre outros prejuízos.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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