A presidente da Associação Évora 2027, Maria do Céu Ramos, manifestou esta sexta-feira, 17 de junho, elevadas expectativas quanto à criação da Orquestra Regional do Alentejo, considerando que o projeto representa um passo determinante para a afirmação cultural da região e para o reforço da sua coesão territorial.
As declarações foram prestadas à margem da sessão de esclarecimento sobre o projeto, realizada no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, onde foram apresentados os contornos do concurso promovido pela Direção-Geral das Artes para a constituição da futura orquestra.
“As expectativas são à altura da ambição e do empenho que pusemos neste impulso que demos junto do Governo para que fosse lançado o concurso com vista à criação da Orquestra Regional do Alentejo”, afirmou Maria do Céu Ramos, recordando que o Alentejo é atualmente a única região do país sem uma orquestra regional, apesar de o programa nacional completar 35 anos em 2027.
Para a responsável da Associação Évora 2027, a criação da estrutura é “incontornável” no contexto da preparação de Évora para Capital Europeia da Cultura, defendendo que o projeto deve servir simultaneamente a cidade, a região e o diálogo europeu. Nesse sentido, destacou o apoio do Governo ao longo de todo o processo, sublinhando que “nunca hesitou em apoiar a iniciativa”, voltando a ministra da Cultura a marcar presença na sessão para reafirmar esse compromisso político e financeiro.
Maria do Céu Ramos salientou ainda que o sucesso da futura orquestra dependerá da sua dimensão artística e formativa, atribuindo um papel central à Universidade de Évora e destacou que “é muito importante que tenha um forte coração artístico, pedagógico e formativo e, por isso, o papel da Universidade de Évora é fundamental”, referindo que a instituição já está a desenvolver o desenho do projeto.
A presidente da Associação Évora 2027 apelou igualmente à adesão dos municípios alentejanos, lembrando que o regulamento exige um mínimo de cinco autarquias participantes, embora a região conte com 47 concelhos.
Segundo explicou, uma participação alargada permitirá reforçar o impacto da orquestra na coesão cultural do território e reduzir o esforço financeiro de cada município. “Se todos os municípios entrarem, cada um terá apenas que investir 5.000 euros. É um investimento na cultura e na cidadania cultural e parece-me muito ao alcance dos municípios da região”, sublinhou.
A responsável mostrou-se confiante de que o processo reunirá o envolvimento das várias entidades chamadas a integrar a candidatura, desde municípios e Universidade de Évora até associações artísticas e culturais. Recordou que as candidaturas deverão ser apresentadas até meados de setembro, esperando que desse trabalho colaborativo resulte uma estrutura pronta a integrar a programação de Évora 2027.
De acordo com o calendário apresentado durante a sessão, a Orquestra Regional do Alentejo poderá estar constituída e em funcionamento entre maio e junho de 2027.
“Seria maravilhoso podermos contar com uma atuação da futura Orquestra Regional do Alentejo na programação da Capital Europeia da Cultura, mas, mais importante ainda, que depois a orquestra fique residente no território, todos os anos, todos os dias, a trabalhar na capacitação artística, no fomento cultural, no serviço público artístico musical e na coesão do território”, concluiu Maria do Céu Ramos.
A criação da Orquestra Regional do Alentejo é apontada pelas entidades envolvidas como um dos projetos estruturantes de Évora 2027, procurando colmatar uma lacuna histórica da região no panorama musical nacional e deixar um legado permanente de criação artística, formação e descentralização cultural para todo o Alentejo.

