O rebuçado de ovo de Portalegre caracteriza-se pela sua simplicidade mas também pelo seu vidrado, pela sua crocância e cremosidade que se encontram no interior.
A sua história remonta ao século XVIII, no Convento de Santa Clara, onde as freiras encontraram uma boa solução para não desperdiçar as gemas que sobravam da confeção das hóstias, feitas à base das claras.
Com os doces conventuais a estarem cada vez mais na moda, um pouco por todo o Alentejo, onde este tipo de doçaria é tradição, há quem se tenha, em boa hora, aventurado num negócio próprio desta natureza.
Marta Martins é o exemplo de que com força de vontade e resiliência é possível fazer florescer um negócio que à partida não tinha “pernas” para andar.
Desde muito nova que Marta Martins manifestou grande apetência para a confeção de doces. Um dia, a assistir a um workshop percebeu que queria ir mais longe, testar os seus próprios limites e experimentar fazer o tradicional rebuçado de ovo. Com técnicas muito próprias, os doces conventuais não são para quaisquer mãos. De início a coisa não correu bem, mas a família, pais e marido, nunca permitiram que Marta desistisse dos seus objetivos.
Resistiu, insistiu e venceu. No momento em que conseguiu “o ponto certo”, Marta Martins aventurou-se participou no 11º Concurso Nacional de Doçaria Conventual Tradicional Portuguesa, realizado em 2022, onde conquistou a medalha de ouro e a distinção de melhor dos melhores.
Estava dado o imput que Marta necessitava para seguir em frente. Apesar da motivação e estando o País confrontado com uma Pandemia, as oportunidades não eram muitas. Ainda assim, esta jovem doceira meteu mãos. Os seus doces foram nesta altura conforto, abraço, carinho, presença. As encomendas foram surgindo, o negócio começou a expandir e é hoje uma referência no setor.
Sonho doce, assim se chama o negócio, não é a principal atividade do casal Marta Martins e Ricardo Lopes. Ambos têm as suas profissões e os rebuçados de ovo são um part-time.
Marta Martins explica-nos que “as feiras de doçaria que vão sendo realizadas em todo o País são boas iniciativas pois permitem que se dê a conhecer estas iguarias.”
A participarem pela segunda vez na Feira da Doçaria Conventual que se realizou em Vila Viçosa no passado fim-de-semana, conquistaram mais uma medalha para juntar a todas as outras que já têm. O rebuçado de ovo ganhou o terceiro lugar do Concurso de Doçaria Lurdes Ramos. Para a doceira “ser o terceiro, o segundo ou o primeiro prémio, o que importa é participar e demonstrar o que o nosso País e o nosso Alentejo tem de bom”.
Açúcar, água e gema de ovo são os ingredientes necessários para fazer estes rebuçados. Parece fácil não? Na realidade, os pontos de açúcar exigem muita perícia e são exigentes. Marta Martins teve um sonho, lutou por ele e nunca desistiu. Cresceu como pessoa e como profissional. Hoje, já com uma filha, gostava que a filha seguisse as suas pisadas na área da doçaria.
Apesar de ser uma das doceiras mais jovens de Portalegre, não se deixa intimidar pela responsabilidade que isso lhe traz. Acredita que os rebuçados que confeciona são especiais, não só pela qualidade, mas acima de tudo pelo amor com que os faz nascer.
Sonho Doce chegou, viu e venceu e os seus rebuçados de ovo vão continuar a “adoçar” o Alentejo e o País.

