Há encontros que parecem improváveis até acontecerem. E, quando acontecem, podem transformar uma noite comum num momento para recordar.
Foi precisamente isso que aconteceu este sábado, no Festival da Juventude, no Castelo de Alandroal, quando dois universos musicais aparentemente distantes se cruzaram: a energia da música eletrónica de Mastiksoul e a tradição secular do Cante Alentejano, pela voz de Os Garridos.
De um lado, um dos nomes mais reconhecidos da música eletrónica portuguesa. Do outro, um grupo nascido no coração do Alentejo com a missão de preservar e divulgar uma das mais importantes expressões da identidade cultural da região.O resultado? Uma combinação improvável que acabou por surpreender quem assistia.
Mastiksoul, nascido em Angola a 7 de abril de 1977, construiu ao longo de uma carreira de sucesso uma forte identidade musical, cruzando ritmos latinos, africanos e tribais com o house e a música de dança contemporânea. O DJ e produtor português alcançou reconhecimento internacional e colaborou com alguns dos maiores nomes da música, entre eles Akon, Bob Sinclar, Shaggy e Mariza.
Conhecido pela capacidade de transformar diferentes influências numa linguagem musical própria, Mastiksoul levou ao Alandroal a energia que o tornou num dos nomes de referência da música eletrónica em Portugal.
“Os Garridos” nasceram a 23 de maio de 2020, em Rio de Moinhos, no concelho de Borba, pela vontade de um grupo de amigos que decidiu dar resposta a uma ausência sentida na freguesia: não existia, naquele momento, um grupo ativo de Cante Alentejano. Numa terra onde as quadras populares fazem parte da memória e da identidade coletiva, o grupo assumiu uma missão que vai muito além da música.
Os Garridos têm como principal objetivo valorizar e divulgar o Cante Alentejano, expressão cultural reconhecida como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.São vozes que carregam consigo uma região, uma história e uma forma muito própria de cantar o Alentejo.
Foi este encontro entre tradição e modernidade que tornou o momento especial. Num cenário carregado de história como o Castelo de Alandroal, o Cante Alentejano encontrou-se com os ritmos eletrónicos de Mastiksoul, provando que a música não conhece fronteiras e que a tradição não precisa de ficar presa ao passado. Pelo contrário: pode reinventar-se, encontrar novos públicos e dialogar com linguagens completamente diferentes sem perder a sua essência.
No Alandroal, o Alentejo cantou. Mastiksoul trouxe a batida. E, por uma noite, tradição e modernidade dançaram ao mesmo ritmo.

