Um dos mais importantes testemunhos da pré-história alentejana está no centro de uma polémica que tem gerado preocupação entre defensores do património. O Menir do Outeiro da Barrada, nas proximidades de Monsaraz, foi alvo de atos de vandalismo que deixaram marcas visíveis numa estrutura com milhares de anos de história, levantando questões sobre a proteção e preservação de um monumento classificado.
A situação foi denunciada pela Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz (ADIM), que formalizou uma participação junto da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR-Alentejo).
Em declarações à Rádio Campanário, Jorge Cruz, representante da ADIM, explicou que a denúncia foi apresentada na semana passada, alertando para um conjunto de situações que, na perspetiva da associação, estão a comprometer a integridade e a valorização daquele património arqueológico.
O caso começou por gerar controvérsia após a instalação de um banco de jardim na área de proteção legal do monumento, uma intervenção que motivou o protesto da associação. Contudo, a situação agravou-se quando o menir surgiu pintado com inscrições e desenhos, numa ação que está a contribuir para a deterioração da superfície da pedra.
Entre as marcas deixadas no monumento encontra-se a frase “Muito obrigada dotora”, acompanhada por um coração e uma flor, grafismos que contrastam com o valor histórico e arqueológico da estrutura megalítica.
Jorge Cruz acrescentou “até ao momento não obtivemos qualquer resposta por parte das entidades a quem a denúncia foi apresentada”.
Segundo o responsável, a única reação pública conhecida surgiu através de declarações da presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, numa entrevista concedida ao jornal Público.
Na mesma entrevista, a autarca explicou que a colocação do banco resultou de um pedido efetuado por utilizadores habituais dos percursos pedestres da zona, maioritariamente pessoas idosas que procuravam um local para descansar durante as caminhadas.
Marta Prates reconheceu , segundo avança o jornal Público, “ que não foram inicialmente consideradas as limitações impostas pela zona de proteção do monumento. Após a contestação da ADIM, o banco foi removido e reinstalado numa localização compatível com a legislação em vigor.”
Contactada pela Rádio Campanário, a presidente da Câmara não prestou declarações. Posteriormente, o chefe de gabinete da autarca, Paulo Chaveiro, informou a Rádio campanário que o município já se encontra a desenvolver diligências junto das entidades responsáveis pela tutela do património para que a limpeza da estrutura seja efetuada com a maior brevidade possível.
A Rádio campanário contactou ainda o responsável pela pasta da cultura na CCDR Alento, vice-presidente Henrique Sim-Sim, mas tal não foi possível-
As preocupações da ADIM vão além do episódio de vandalismo. A associação alerta para aquilo que considera ser uma crescente descaracterização da envolvente do monumento, apontando a existência de construções em madeira e contentores ao longo da estrada de acesso ao local.
Na visão da associação, estas estruturas comprometem a paisagem e a imagem de uma das zonas patrimoniais mais emblemáticas do concelho, transmitindo aos visitantes uma perceção negativa do território.
O caso volta assim a colocar em debate a questão da proteção dos monumentos megalíticos do Alentejo, património único que continua a atrair investigadores, turistas e amantes da história, mas que permanece vulnerável a atos de incúria e vandalismo.

