Portugal registou 225 vítimas mortais e mais de 1.300 feridos graves em acidentes rodoviários entre janeiro e junho. Os dados provisórios foram divulgados pelo Ministério da Administração Interna (MAI), em comunicado, com base na informação consolidada pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
A sinistralidade rodoviária agravou-se no primeiro semestre de 2026, com 225 vítimas mortais registadas nas estradas portuguesas, mais 23 do que no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 11,4%.
De acordo com os dados provisórios da evolução da sinistralidade rodoviária, divulgados pelo MAI em comunicado, entre janeiro e junho foram registados 17.941 acidentes com vítimas, dos quais resultaram ainda 1.371 feridos graves e 20.724 feridos leves.
Face ao período homólogo do ano passado, o número de feridos graves aumentou 6,9%, com mais 89 casos. Em sentido contrário, o número de acidentes com vítimas caiu 0,7% e o de feridos leves diminuiu 2,1%.
Um dos dados mais preocupantes prende-se com os atropelamentos. Apesar de terem diminuído os acidentes deste tipo, em 3%, e os feridos leves, em 2,8%, o número de vítimas mortais aumentou 121,4%, passando de 14, no primeiro semestre de 2025, para 31 este ano.
Também os feridos graves resultantes de atropelamentos aumentaram, embora de forma mais ligeira, com uma subida de 2,8%.
As zonas urbanas concentram a maioria dos acidentes com vítimas, representando 63,9% do total. Estes acidentes foram responsáveis por 32,9% das vítimas mortais e por 47,1% dos feridos graves.
Nas estradas nacionais ocorreram 18,4% dos acidentes, mas estas vias concentraram 28% das vítimas mortais. Já nas autoestradas registaram-se 6,3% dos acidentes, correspondendo a 11,1% das mortes.
Perante a subida da mortalidade e dos feridos graves, o Ministério da Administração Interna afirma que, em conjunto com a GNR, a PSP e a ANSR, está a implementar — e pretende continuar a implementar — um conjunto de medidas com objetivos quantificados e acompanhamento permanente dos resultados.
Entre as principais ações está o reforço da fiscalização, direcionado para os locais e horários onde se verifica uma maior concentração de comportamentos de risco.
A operação terá como prioridades o combate a infrações como o excesso de velocidade, o consumo de álcool e o uso do telemóvel ao volante, além do reforço das operações conjuntas entre GNR e PSP e de intervenções nos chamados pontos negros e nos troços com maior concentração de acidentes.
Face ao aumento expressivo das mortes por atropelamento, será também colocado em prática um plano extraordinário de fiscalização em zonas urbanas.
A estratégia prevê a identificação e intervenção urgente nos locais onde estes acidentes ocorrem com maior frequência, bem como o reforço da iluminação, da sinalização e da visibilidade das passadeiras.
Está ainda previsto o lançamento de uma campanha de sensibilização dirigida a condutores e peões.
O MAI sublinha que a segurança rodoviária exige o envolvimento do Estado, das autarquias, das entidades públicas e privadas e dos próprios cidadãos, defendendo uma resposta conjunta para travar a evolução negativa da sinistralidade e cumprir os objetivos definidos a nível nacional e europeu.

